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Impressão 3D leva a moda para casa

Ray Kurzweil, diretor de engenharia do Google, garante que a impressão 3D vai revolucionar a moda. O homem que antecipou a soberania dos smartphones e os automóveis sem condutor acredita que a tecnologia irá disseminar-se rapidamente em apenas uma década e que em breve todos vão imprimir roupa em casa.

Ray Kurzweil é uma daquelas pessoas cujo nome é muitas vezes associado ao título vago de «futurista». Inventor reputado, que em 2012 se tornou diretor de engenharia na Google centrado na aprendizagem de máquinas, é bem conhecido pelas muitas profecias que fez ao longo dos anos sobre como a tecnologia vai moldar e transformar as nossas vidas.

Kurzweil nem sempre esteve certo, destaca um artigo do Quartz, incluindo no futuro do vestuário, mas revelou-se surpreendentemente hábil em prever inovações. Computadores móveis, isto é, smartphones, computação na nuvem e automóveis que se conduzem sozinhos têm estado entre os seus prognósticos. Na conferência Global Leaders’ Collective do New York Times, no início de dezembro, o diretor de engenharia do Google fez uma outra previsão, desta vez sobre a forma como nos vestimos. Kurzweil acredita que dentro de uma década vamos estar a imprimir em 3D o nosso vestuário em casa. «À medida que a variedade de materiais disponíveis para imprimir em 3D se torna mais ampla e menos dispendiosa, tanto os designs de vestuário open-source como com direitos de autor vão estar disponíveis online em apenas 10 anos», explicou. «Em 2020 vai haver toda uma nova série de produtos disponíveis imediatamente para comprar por cêntimos de dólar e imprimir imediatamente. Vai tornar-se a norma para as pessoas terem impressoras em casa», acrescentou.

O potencial para o vestuário impresso em 3D é algo a que os membros da indústria da moda estão atentos. Quando o Met Costume Institute abriu a sua exposição de moda na primavera, Manus x Machina, apresentou várias peças com elementos impressos em 3D. O curador, Andrew Bolton, afirmou à Bloomberg que a impressão 3D tem um potencial «revolucionário» se for capaz de chegar a uma audiência mais vasta. «Significa que é possível imprimir em 3D o vestido, com as medidas certas, em casa», apontou. Também o diretor e operações da Nike, Eric Sprunk, antecipa a possibilidade de fazer a impressão de ténis em casa.

No entanto, até agora a impressão 3D não se mostrou ser o milagre prometido. A MakerBot, a empresa que deveria levar a impressão 3D à casa dos consumidores, deixou de produzir as suas próprias impressoras este ano, com a impressão 3D a ter dificuldade em encontrar um público vasto.

Na moda, a tecnologia tem até agora sido usada sobretudo para experiências mais vanguardistas do tipo apresentado em Manus x Machina, mas é praticamente inexistente no vestuário de massas. Por todas as suas capacidades, a impressão 3D nesta fase não consegue propriamente replicar tecido. O que produz tende a parecer e ter um toque rígido, faltando suavidade e flexibilidade aos tecidos e malhas, pelo que a sua utilização na moda ainda está relegada para artigos como joalharia e calçado.

Danit Peleg, uma jovem designer israelita, apresentou uma coleção de fim de curso completamente realizada com recurso à impressão 3D, mas não escondeu as dificuldades, sobretudo com o tempo da impressão, que para cinco coordenados ocupou mais de 2.000 horas (o equivalente a cerca de três meses). E embora o “tecido” tenha já flexibilidade, ainda se sente rigidez – como o Portugal Têxtil pode verificar durante a apresentação da coleção durante o evento Ideation 2015 da Gerber Technology, em Las Vegas, em outubro de 2015 (ver Gerber repleta de novidades).

Um dos principais desafios para os consumidores se a tecnologia ganhar força será aprender as capacidades de design assistido por computador necessárias para criar os produtos que querem. Algo que não é pouco e não é difícil imaginar que os consumidores ainda prefiram comprar produtos desenhado por profissionais.

O diretor de engenharia do Google prevê que o mercado seja uma mistura de designs gratuitos e open-source e designs realizados por marcas, que podem ainda guiar as tendências. A grande mudança será na forma como as roupas são feitas e a moda verá as barreiras à entrada cair, tal como aconteceu na música e nos media no passado.

Será uma mudança enorme e que é difícil de imaginar que tenha lugar dentro de uma década. Mas se há algo que Ray Kurzweil já provou é que grandes ideias não o assustam.