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Impulso da inovação

Diversas empresas escandinavas estão empenhadas em trazer os processos de reciclagem para a escala industrial, garantindo uma nova vida aos têxteis e a disponibilidade no mercado de fibras recicladas.

[©Infinited Fiber Company]

Infinited Fiber Company

A tecnologia da Infinited Fiber Company transforma materiais à base de celulose, como têxteis ricos em algodão, cartão usado ou palha de arroz e trigo, em Infinna, uma fibra têxtil com o aspeto natural e macio do algodão, e com o mesmo toque. A empresa finlandesa lidera ainda o projeto New Cotton, que reúne mais 11 empresas, incluindo a portuguesa Inovafil, e pretende desenvolver um modelo completamente circular para a produção comercial de vestuário.

Mais recentemente, anunciou a construção de uma fábrica no seu país de origem para aumentar a capacidade produtiva e fornecer as suas fibras têxteis regeneradas ao mercado mundial. Atualmente, a Infinited Fiber opera instalações-piloto nas cidades de Espoo e Valkeakoski, na Finlândia, com uma capacidade conjunta de 150 toneladas por ano. Agora, a empresa quer criar uma unidade industrial capaz de produzir anualmente 30 mil toneladas, que irá ainda usar resíduos têxteis pós-consumo como matéria-prima.

Infinited Fiber [©Infinited Fiber Company]
«Isto marca uma nova fase entusiasmante para a Infinited Fiber Company. Estamos a registar uma grande procura pela fibra têxtil circular Infinna por parte de marcas de moda mundiais. Construir a nossa própria fábrica é uma resposta a esta procura. Embora o licenciamento de tecnologia continue a ser fulcral para a nossa estratégia de negócio a longo prazo, esta unidade vai acelerar a disponibilidade da Infinna para o mercado têxtil e de moda mundial no curto a médio prazo», afirma o cofundador e CEO da empresa, Petri Alava.

A tecnologia da Infinited Fiber já conquistou nomes como a H&M, a Bestseller e a Patagonia. «A vantagem da Infinna é que o consumidor nunca adivinharia que é feita de vestuário reciclado. Vão poder experienciar a mesma longevidade, conforto e suavidade que com um produto produzido de matérias-primas virgens», destaca Ciara Cates, diretora de desenvolvimento de materiais da Patagonia.

Södra

A empresa sueca criou uma tecnologia que permite separar as fibras de misturas algodão/poliéster para reciclar. A Södra desenvolveu um processo industrial onde mistura celulose proveniente da madeira com uma quantidade significativa de resíduos têxteis. O resultado é «uma matéria-prima completamente nova, pronta a reentrar na indústria têxtil», revela no seu website.

«Estamos a redesenhar o mapa para a indústria têxtil e da moda ao oferecer fluxos circulares de fibras têxteis», acredita Johannes Bogren, presidente da Södra Cell Bioproducts. «Uma camisola pode agora tornar-se novamente numa camisola. Isto vai criar valor acrescentado para os nossos clientes e, sobretudo, para a indústria da moda. É um grande dia para nós e também para a emergente bioeconomia circular», sublinha.

Södra [©Södra/Skogsägarna Ny Studio]
Helena Claesson, gestora de projeto na Södra, adianta que o processo vai igualmente ser testado com fibras de viscose e liocel, para além das misturas algodão/poliéster. «Estamos atualmente a procurar empresas com elevadas ambições de sustentabilidade que queiram juntar-se a nós para entregar têxteis», acrescenta.

Recentemente, a empresa juntou forças com a austríaca Lenzing, tendo assinado um acordo de cooperação que tem como objetivo processar 25 mil toneladas de têxteis por ano. «Uma empresa sozinha não pode resolver o premente problema de resíduos têxteis. Parcerias proativas como esta podem permitir-nos fazer progressos e fazer uma verdadeira mudança sistémica», reconhece Christian Skilich, administrador da Lenzing. «Com novos investimentos, vamos também expandir 10 vezes a nossa capacidade produtiva de polpa OnceMore durante 2022 e aumentar a proporção de têxteis reciclados no produto. São passos importantes para cumprir o nosso objetivo a longo prazo: criar uma indústria têxtil circular», admite Lotta Lyrå, presidente e CEO da Södra.

Em dezembro do ano passado, a empresa assinalou um novo marco no seu percurso, ao conseguir que a sua polpa tivesse 20% de conteúdo reciclado.

Renewcell

A tecnologia desenvolvida pela empresa sueca Renewcell divide o algodão utilizado em níveis moleculares para o reagrupar num material em estado natural que não requer campos de algodão, petróleo ou árvores para o produzir. As peças são desfiadas, desprovidas de botões, fechos zíper e descoloradas, além de lhes serem retiradas quaisquer materiais de poliéster, de modo a que possam ser transformadas em pasta de celulose orgânica e biodegradável. A pasta é seca para produzir folhas de Circulose, que, depois são embaladas para se transformarem em fibras têxteis.

Renewcell (Levi’s com Circulose) [©Renewcell]
«O panorama da moda está em constante alteração, mas a indústria nunca a acompanhou», afirma Harald Cavalli-Björkman, diretor de comunicação da Renewcell, explicando que «[a indústria] sempre se preocupou em plantar mais algodão, utilizar mais petróleo ou cortar mais árvores para vender mais peças essenciais da estação. Entretanto, menos de 1% das roupas são recicladas». Cavalli-Björkman revela que «a Circulose foi criada com o objetivo de transpor toda a indústria para a circularidade e reduzir drasticamente o impacto que a moda provoca no ambiente».

O material tem atraído diversas marcas. Além da parceria da Renewcell com a H&M, nomeadamente na Conscious Collection da retalhista de moda, a Circulose está a ser usada na coleção para a primavera-verão de 2021 da KappAhl e foi selecionada pela Levi’s para a linha Wellthread.