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Incêndio na Turquia põe em causa modelo de auditorias

O incêndio numa fábrica turca que matou pelo menos cinco pessoas, três das quais emigrantes da Síria, deverá ter consequências a um nível mais alto e até mudar a forma como as marcas e retalhistas auditam os seus fornecedores, de acordo com diferentes entidades não-governamentais e sindicatos.

[©Hurriyet Daily News]

O incêndio, segundo os meios de comunicação locais, deflagrou no passado dia 11 de fevereiro num edifício de quatro andares onde são produzidos materiais têxteis e provocou a morte de pelo menos cinco pessoas, três das quais serão trabalhadores migrantes da Síria. Já foram presos três suspeitos, mas as organizações ligadas à indústria têxtil e vestuário afirmam que a responsabilidade tem de ir além dos donos da empresa e ir ao fundo do problema, escreve o Just Style.

A No Sweat Campaign, que pretende criar solidariedade entre trabalhadores de todo o mundo, afirma que o ónus de ter condições seguras não deve ser deixado apenas para os proprietários das empresas.

O ativista Jay Kerr, da No Sweat, disse ao Just Style, em exclusivo, que «as marcas têm de ser legalmente obrigadas de assegurar condições seguras e os governos têm de legislar leis eficientes para proteger trabalhadores e responsabilizar as pessoas que têm poder económico».

[©Ecotextile News]
Kerr sublinha que a tragédia parece ser «mais um exemplo de como o sistema de auditorias sociais não é adequado ao propósito. Vezes sem conta as fábricas foram consideradas seguras pelos auditores e acabam por ser armadilhas mortais para os trabalhadores. A auditoria voluntária usada pelas marcas para provar que estão a fazer as devidas diligências mostraram ser ineficazes a manter os trabalhadores seguros».

Já Kemal Özkan, secretário-geral assistente do Industriall Global Union, afirmou ao Just Style que «estamos horrorizados, este incêndio é uma carnificina. É uma demonstração clara da ganância empresarial por lucros em vez da vida dos pobres trabalhadores migrantes que tentam ganhar a vida. Trabalhar na produção num edifício construído para habitação sem qualquer equipamento de saúde e segurança é inaceitável. Os que são responsáveis têm de ser responsabilizados».

No início deste mês, o julgamento para determinar quem foram os responsáveis pela queda do edifício Rana Plaza no Bangladesh foi retomado cinco anos após vários recursos.