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Incentivo à economia chinesa

A China irá reduzir as tarifas de importação de alguns bens de consumo até ao final de junho como forma de impulsionar os gastos domésticos e contrariar a desaceleração da economia nacional, num momento em que um número recorde de turistas chineses opta por comprar no exterior.

O Conselho de Estado explicou que esta decisão foi tomada a fim de satisfazer a crescente procura dos consumidores, sem no entanto especificar quais os bens de consumo contemplados ou em que medidas as tarifas serão reduzidas.

Esta medida surge no seguimento da continuada desaceleração do crescimento económico daquela que é a segunda maior economia mundial, depois de ter assinalado uma baixa de 7% no primeiro trimestre de 2015 pelo sexto ano consecutivo, em resultado da crise imobiliária e da retração do investimento e sector produtivo.

O governo comprometeu-se, também, a ajudar os consumidores chineses na aquisição de bens estrangeiros, aumentando o número de lojas duty-free na fronteira, ampliando a seleção de produtos vendidos nesses espaços e alargando o limite de quanto os consumidores podem adquirir.

Contudo, os analistas sustentam que estas medidas poderão não ser suficientes para estimular o consumo doméstico, uma vez que muitos chineses consideram que os bens adquiridos no exterior são de qualidade superior, enquanto outros procuram explorar novos destinos e vivenciar novas experiências.

«Os continentais não gostam realmente de consumir no continente uma vez que consideram não ser suficientemente sofisticado. Eles consideram que é mais elegante comprar o mesmo produto em Milão do que em Xangai», refere Walter Woo, analista da firma Sunwah Kingsway Research em Hong Kong.

As medidas de combate à corrupção e repressão de gastos extravagantes vieram, também, inibir a aquisição de bens dispendiosos em território doméstico.

As consequências desta nova iniciativa permanecem incertas, mas a redução dos impostos aplicados às importações poderá atrair um número superior de marcas globais para território chinês, acrescendo a pressão sobre as empresas do país, advertem analistas da UBS.

«Para defender as suas quotas, as marcas nacionais sobreviventes devem investir mais na inovação de produtos e construção da marca, conduzindo a uma menor rentabilidade», afirmaram.

Os consumidores chineses pagam 20% mais por bens de luxo do que os seus pares europeus. Por esse motivo, rumam frequentemente a Hong Kong, Japão, Coreia do Sul e outros mercados para aquisição de artigos estrangeiros, devido às altas tarifas de importação praticadas na China. Por exemplo, o iPhone 6 da Apple é vendido a 852 dólares na China, em comparação com Hong Kong, onde o preço é 721 dólares.

As partidas de turistas chineses em território continental deverão aumentar de 98 milhões em 2013 para 200 milhões até 2020, segundo o grupo CLSA, impulsionando o crescimento de sectores como a aviação, casinos e retalho.

No mês passado, os media estatais chineses anunciaram a intenção de limitar o número de visitas dos moradores da cidade sulista de Shenzhen à vizinha Hong Kong, como forma de aliviar o fluxo de visitantes do continente na antiga colónia britânica.