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Índia domina produção de algodão

O país liderado por Narendra Modi vai ultrapassar a China e tornar-se novamente no maior produtor mundial de algodão já na colheita de 2019/2020. A Índia, que é também o segundo maior consumidor da fibra, deverá produzir mais de 28,5 milhões de fardos, o equivalente a 6,2 milhões de toneladas.

A previsão foi avançada pelo Departamento de Agricultura dos EUA no mais recente relatório “Cotton and Wool Outlook Report”, que sugere ainda que a produção mundial de algodão deverá crescer em 2019/2020, com as projeções iniciais a darem conta de uma expansão para 125,5 milhões de fardos, mais 6% do que na época 2018/2019.

Este crescimento mundial deverá ser impulsionado por um aumento na área cultivada e na produção por área, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

A Índia deverá recuperar o estatuto de maior produtor em 2019/2020, ultrapassando a China, que se tornou no maior produtor na época 2018/2019. Para 2019/2020, a área dedicada ao cultivo de algodão na Índia deverá aumentar ligeiramente para 12,35 milhões de hectares, graças às expectativas de preço favoráveis para o algodão, e a produção deverá crescer 3 milhões de fardos, totalizando 28,5 milhões de fardos.

A China deverá produzir 27,75 milhões de fardos em 2019/2020, o mesmo que produziu na época anterior, com uma ligeira redução da área plantada a ser compensada pela expectativa de uma colheita mais produtiva.

Os aumentos na produção deverão ainda ser sentidos, de acordo com o documento do Departamento de Agricultura dos EUA, no Paquistão, com mais 300 mil fardos, para 8 milhões de fardos. «Em contrapartida, a produção de algodão no Brasil e na Austrália deverá diminuir em 2019/2020», aponta a entidade. No Brasil, a queda deverá ser de 800 mil fardos, para 12 milhões de fardos, enquanto a projeção na Austrália aponta para uma quede de 12%, atingindo os 2,2 milhões de fardos – o valor mais baixo da última década.

Consumo em crescendo

O consumo mundial de algodão deverá atingir o valor recorde de 125,9 milhões de fardos, segundo as primeiras projeções, o que ficará 2,6% acima da estimativa de 2018/2019. «O aumento reflete o crescimento continuado na economia mundial e a estabilização da quota de algodão na utilização mundial de fibras», pode ler-se no relatório.

O consumo de algodão é liderado pela China, pela Índia e pelo Paquistão, com uma utilização conjunta pelas fiações prevista em 77,5 milhões de fardos, equivalente a 61,5% do total mundial. São ainda esperados aumentos de consumo no Bangladesh, Vietname e Turquia.

O comércio mundial de algodão em 2019/2020 deverá ficar próximo dos 45,3 milhões de fardos, 8% acima da época anterior e o valor mais alto em sete anos. As expectativas de comércio mais elevadas devem-se ao facto de a utilização pelas fiações em países orientados para a importação, como o Bangladesh e o Vietname, continuarem fortes e pela antecipação de um aumento das importações de algodão por parte da China.

As projeções para as exportações por país indicam que os EUA e o Brasil são os que mais vão beneficiar de um crescimento do comércio.

Mas com o consumo mundial de algodão a dever exceder a produção, os stocks mundiais finais deverão descer ligeiramente. Em 2019/2020, deverão ficar em 75,7 milhões de fardos, menos 780 mil fardos do que em 2018/2019.