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Indianos e chineses em parceria

Na sequência desta joint-venture, um comunicado por parte de Nikhil Meswani, presidente-executivo da Reliance, refere que a nova parceria vai «aproveitar o potencial de crescimento do mercado indiano e emergir como um ator têxtil global». A iniciativa encaixa na política do ministério dos têxteis da Índia de aumentar a participação do país no mercado global de exportação de têxteis e vestuário. Segundo os dados do ministério, a Índia exportou 35 mil milhões de dólares de têxteis e vestuário no ano fiscal encerrado em março de 2014. E o governo quer mais vendas no exterior. «A China controla 36% do comércio internacional de têxteis, enquanto a participação da Índia é inferior a 5%», afirmou Damodaran Karthikeyan Nair, secretário-geral da Confederation of Indian Textile Industry (CITI). «Se formos capazes de conseguir 15% da atual capacidade de produção da China, as nossas exportações serão mais do dobro», destacou o responsável. Existem razões para a indústria têxtil indiana apontar para estas metas otimistas, de acordo com Darshan Lal Sharma, um membro da Comissão Nacional de Têxteis na Confederation of Indian Industry (CII). Sharma acredita que muitas empresas chinesas estarão a procurar fabricar na Índia à medida que o aumento dos custos de mão-de-obra e energia tornam mais cara a produção de têxteis na China. Empresas têxteis chinesas já criaram bases de produção no Vietname, Malásia e Indonésia, revelou Damodaran Karthikeyan Nair. No entanto, apenas a Índia poderia ser um verdadeiro substituto: «A Índia tem a segunda maior indústria têxtil integrada do mundo, com uma base de produção estabelecida para fibras, fios, tecidos, têxteis, vestuário e segurança técnica», sustentou. Segundo o secretário-geral da CITI, todas as grandes empresas têxteis indianas são potenciais parceiros para as empresas chinesas. Nair indicou os casos de Alok Industries, Welspun India, Trident e Arvind Mills, como sendo de dimensão suficiente para participar neste tipo de joint-ventures. Tais colaborações são também suscetíveis de proporcionar um enorme impulso para a indústria têxtil indiana. «Os chineses têm uma grande capacidade para tecidos não algodão que poderia impulsionar a fabricação de tecidos sintéticos na Índia», considera Sharma. O responsável observou que 60% da produção têxtil indiana é de fibra de algodão, enquanto ao nível internacional a proporção é de 60/40 a favor das fibras sintéticas. Este equilíbrio pode ser alcançado por intermédio da obtenção de conhecimento chinês para processar têxteis sintéticos, incluindo tecelagem, tinturaria, testes e misturas de diferentes tipos de materiais sintéticos. Talvez um desafio ainda maior resida na criação e manutenção de unidades de produção de grande escala na Índia, necessárias para lidar com grandes contratos chineses ou joint-ventures. «95% dos tecidos indianos são produzidos em pequenas unidades do sector desorganizado», referiu Nair. «Eles nem sequer conseguem fabricar os materiais necessários para produzir alguns dos produtos mais negociados no mundo ocidental como fatos, casacos e camisas de uso corrente», acrescentou. Sunaina Tomar, secretário-adjunto no Ministério dos Têxteis da Índia, revelou na conferência Texcon 2014, em outubro último, em Nova Deli, que o sector têxtil indiano estava atualmente a lutar com os custos dos juros, dificuldades de aquisição de terras, exigentes aprovações regulamentares ambientais e dificuldades de gestão da mão-de-obra, problemas que impedem as pequenas unidades de crescer. No entanto, no âmbito do novo governo indiano, do Partido Bharatiya Janata (BJP), que assumiu o poder em maio, o processo de racionalização da legislação laboral já começou e as licenças ambientais para a indústria são já mais fáceis de obter. «Este é o melhor momento para entrarmos no enorme segmento da produção em massa», afirmou Nair. De acordo com o responsável, não só as empresas chinesas, mas as empresas da Coreia do Sul e de Taiwan estão a mostrar interesse na criação de bases de produção na Índia, o que poderá também levar as empresas indianas a aventurarem-se em novas áreas de atividade.