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Inditex abranda investimento

O maior retalhista de vestuário mundial, sediado no noroeste espanhol, próximo à cidade da Corunha, revelou que planeia diminuir as suas despesas de capital, fixando-as nos 1,35 milhões de euros, um decréscimo de 3% face aos 1,39 mil milhões assinalados no ano anterior. O presidente e diretor executivo do grupo, Pablo Isla, adiantou, numa conferência exclusiva para analistas, que as despesas de capital deverão manter-se abaixo da taxa de crescimento em 2015 e 2016. A Inditex tem sido um dos mais robustos retalhistas europeus durante a crise económica devido ao modelo de negócio “fast-fashion”, o que significa que pode adaptar rapidamente o seu estilo de forma a responder às mudanças da procura. O grupo espanhol tem feito avultados investimentos no sector da logística e plataformas online desde que se lançou no e-commerce em 2010. Em simultâneo, abrandou o ritmo de abertura de novos espaços comerciais, optando por encerrar pequenas lojas em detrimento de grandes espaços, como o que detém no SoHo nova-iorquino, num total de 4.400 metros quadrados, adquirido no ano passado. Ampliou, também, a sua sede por forma a integrar a crescente equipa de gestão online da Zara e da, cada vez mais popular, Zara Home, adquirindo mais espaço para lojas piloto onde são testados vários aspetos inovadores, desde a apresentação da montra da loja, à disposição dos produtos no seu interior. A Inditex lançará, ainda este ano, a plataforma online da Zara em Taiwan, Hong Kong e Macau e espera inaugurar entre 420 a 480 novas lojas, absorvendo cerca de 80 a 100 unidades de menor dimensão em áreas vizinhas. «Estes eventos são compatíveis com as nossas expectativas face à diminuição da intensidade do capital do negócio, que deverá transformar-se num negócio mais gerador de dinheiro», explicou o analista da Bernstein, Jamie Merriman. O lucro líquido da empresa aumentou 5% em 2014, atingindo os 2,5 mil milhões de euros e as vendas cresceram 8% para 18,12 mil milhões de euros, alcançando as expectativas do mercado. O grupo, que atraiu compradores com a sua coleção invernal de saias e túnicas de couro, afirmou que as vendas subiram 13% desde fevereiro até ao momento, nos 88 mercados em que opera atualmente. No entanto, este valor fica ainda aquém dos inesperados 15% alcançados pela rival H&M no mês de fevereiro. A analista da Société Générale Anne Critchlow estimou um aumento de 6% das vendas para esse período de seis semanas. «Isto entra em choque com o consenso existente que previa um aumento de 4%, sugerindo um bom suporte, à data, para as previsões anuais estimadas», acrescentou. As ações da Inditex aumentaram cerca de 23% nos últimos três meses. O preço das ações da Inditex está a ser negociado a 30 vezes o lucro da empresa por ação, comparativamente aos 25 assinalados pela H&M, tendo levado alguns corretores a restringir recomendações sobre as ações da marca no início deste mês. «Continuamos preocupados com o crescimento contínuo da competição, o aumento do custo dos espaços premium e com a maturidade da marca», referiram os analistas do grupo Credit Suisse. A Inditex, fundada e gerida pelo quarto homem mais rico do mundo Amancio Ortega, anunciou também um plano de partilha de lucros com os seus colaboradores. Nesse sentido, irá premiar os seus funcionários com até 2% dos lucros, de acordo com um plano semelhante ao implementado pela H&M.