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Inditex alarga geografia e fortuna

Depois de anunciar o lançamento do portal de comércio eletrónico na Índia, a 4 de outubro, o grupo Inditex divulgou lucros de 1,37 mil milhões de euros no primeiro semestre, um salto de 8,8% em relação ao período homólogo do ano passado.

Em março, a Inditex, a empresa-mãe da Zara, anunciou planos de entrar no mercado online da terceira maior economia da Ásia para alcançar clientes fora dos seus mercados atuais de Deli, Bombaim, Bengaluru, Hiderabad, Surat, Chennai, Pune e Chandigarh.

O portal de comércio eletrónico vai ser oficialmente lançado no dia 4 de outubro e nasce sete anos depois da Zara ter entrado na Índia através de uma joint-venture com o grupo Tata. Desde então, a marca espanhola de moda rápida expandiu-se, contando já com 20 lojas. No ano encerrado a 31 de março de 2016, a Inditex Trent (a joint-venture) registou um crescimento de 17% no volume de negócios em relação ao ano anterior.

Ainda que a Índia seja um mercado pequeno em comparação com a China, onde a Zara detém uma rede de mais de 190 lojas, a popularidade da marca entre os consumidores do país – dos estudantes universitários às celebridades – mostra o crescente interesse dos indianos pela moda.

Como esperado, a concorrência também está a aquecer para correr lado a lado com a Zara no mercado indiano, evidenciando-se as entradas de marcas como H&M e Gap.

Esta estratégia está, por isso, a forçar as marcas instaladas, incluindo a Zara, a melhorar a sua performance, reduzindo os preços e expandindo o seu canal online.

O mercado de moda da Índia está avaliado em 70 mil milhões de dólares (aproximadamente 58,4 mil milhões de euros) e o retalho online representa uma fatia de 5% desse bolo, de acordo com um relatório de março de 2017 do Boston Consulting Group. Em 2020, porém, espera-se que o mercado de moda online ascenda a cerca de 12 a 14 mil milhões de dólares, ou seja, aproximadamente 12% do mercado global. Já o número de consumidores que fazem compras de moda online deverá duplicar até aos 135 milhões.

Todos estes dados justificam a aposta da Inditex.

Na Índia, as marcas premium garantem a maior parte dos seus negócios nas sete principais cidades do país. No entanto, os consumidores ricos vivem além desses centros e estão prontos para investir na moda.

«Acho que podem chegar a muito mais locais no país, onde não é viável abrir lojas», afirmou Pankaj Renjhen, diretor-geral de retalho na consultora imobiliária JLLS, à Quartz.

Fora das grandes cidades da Índia, os centros comerciais de qualidade ainda são uma raridade, o que representa um problema para as marcas de moda exigentes sobre as lojas que as rodeiam. Além disso, o tráfego é residual, o que significa que é difícil justificar o grande investimento de capital necessário para configurar uma loja, explicou Swarooprani Muralidhar, que cobre o mercado de retalho da Índia para a Fung Global Retail & Technology.

Ao estar online, a Zara pode alcançar o significativo grupo de consumidores indianos que vivem em cidades distantes e sedentas de marcas de moda.

Lucros escalam no 1.º semestre

Entretanto, a Inditex anunciou, no passado dia 20 de setembro, lucros de 1,37 mil milhões de euros no primeiro semestre (de fevereiro a julho), uma subida de 8,8% em relação ao período homólogo do ano passado e impulsionada pelo crescimento em todos os mercados e marcas detidas pelo grupo espanhol.

Em informação enviada à CNMV (Comissão Nacional do Mercado de Valores), a Inditex refere que os resultados foram afetados pela «forte apreciação do euro» a partir de junho e pela decisão de fazer uma transição mais acelerada entre estações.

No mesmo período, as vendas escalaram 12%, até aos 11,67 mil milhões de euros.

Os resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) do grupo foram de 2,29 mil milhões de euros, um crescimento de 8,8% em relação ao ano anterior.

A Inditex sublinhou ainda que mantém a sua previsão de investir 1.500 milhões de euros durante o exercício de 2017 (fevereiro de 2017 a janeiro de 2018).