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Inditex atinge lucro recorde

O tempo mais quente em setembro e as flutuações cambiais não foram suficientes para tirar o brilho aos números do gigante espanhol, que nos primeiros nove meses do ano fiscal atingiu um novo recorde de vendas e lucros. O facto da Inditex ter a maior parte dos custos em euros pode, contudo, revelar-se um problema no futuro.

Nos primeiros nove meses do ano fiscal, entre fevereiro e outubro, a Inditex registou um aumento de 4% dos lucros líquidos, para 2,4 mil milhões de euros. Os números recordes – no seguimento do que já tinha sucedido nos resultados semestrais – do grupo espanhol, que detém a Zara, a Massimo Dutti e várias outras insígnias, resultou de um aumento de 3% das vendas, que atingiram igualmente um valor recorde, de 18,44 mil milhões de euros.

Pelo caminho, a empresa controlada por Amancio Ortega conseguiu aumentar as margens em 60 pontos, para 58%.

Na apresentação dos números aos investidores e analistas, que aconteceu hoje de manhã, Pablo Isla, presidente do conselho de administração e CEO da Inditex, destacou «o forte modelo de negócio do grupo, que continua a permitir um crescimento estrutural sólido em todos os mercados, juntamente com o nosso foco constante no desenvolvimento da integração da plataforma online e das lojas através de uma melhoria continuada da tecnologia e dos sistemas».

Apesar dos números positivos sublinhados por Pablo Isla, que reforçou que «fomos capazes – com um impacto cambial negativo significativo – de manter as nossas margens», a Inditex não conseguiu, de acordo com a Reuters, atingir as previsões dos analistas, provocando uma queda de 4,6% das ações às 9h45, para 25,13 euros – o que significa que os investidores retiraram mais de 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,4 mil milhões de euros) ao valor de mercado da retalhista.

Câmbios e concorrência

De acordo com os números da empresa, os lucros brutos aumentaram 3% em comparação com o mesmo período de nove meses do ano passado, mas o crescimento seria de 14% a taxas de câmbio constantes. O impacto negativo do câmbio no terceiro trimestre foi de 3,2%, segundo a Inditex.

O facto da empresa negociar muitas das suas compras em euros é, de resto, uma das preocupações dos analistas. A Inditex tem um modelo de sourcing e distribuição centralizado, o que significa que uma grande parte dos custos são em euros, mas gera mais de metade das suas vendas noutras moedas que não o euro – sendo que as mesmas são convertidas em euros na apresentação dos resultados.

A Inditex enfrenta ainda a concorrência de outros players, incluindo novos negócios online como o Boohoo.com e a Missguided. «Acreditamos que o mercado mundial de retalho de vestuário continua a enfrentar desafios estruturais significativos e a Inditex já não está mais bem posicionada», afirma, numa nota, o Bank of America Merrill Lynch.

Zara online em quase todo o mundo

Ainda assim, e apesar dos contratempos, a maior retalhista mundial de vestuário acredita que é possível atingir o objetivo de ter um crescimento de 4% a 6% do volume de negócios no segundo semestre, mas tal irá exigir «vendas muito fortes na época de Natal», segundo Anne Critchlow, analista na Societé Générale, citada pela Bloomberg.

Para isso deverão ainda contribuir os 106 novos mercados em que a Zara lançou a sua loja online em novembro, o que eleva a presença da principal marca da Inditex para 202 países. Até 2020, revelou Pablo Isla durante a abertura da flagship da Zara em Milão em setembro passado, «todas as marcas da Inditex estarão disponíveis em qualquer parte do mundo».

A empresa abriu ainda lojas em 51 mercados entre fevereiro e outubro deste ano, incluindo a 100.ª loja nos EUA e a nova loja em Lisboa da Massimo Dutti, elevando o número total de pontos de venda para mais de 7.400 nos cinco continentes.