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Inditex combate pandemia com tecnologia

O grupo fundado por Amancio Ortega registou uma perda de 44% das vendas no primeiro trimestre de 2020 face ao ano passado. As vendas online, contudo, prosperaram, e o plano da Inditex até 2022 prevê um forte investimento em tecnologia.

As vendas do gigante espanhol entre 1 de fevereiro e 30 de abril baixaram para 3,3 mil milhões de euros, mas as vendas online registaram um forte crescimento durante este período, tendo mesmo aumentado 95% em abril face ao mesmo mês de 2019.

Os números levaram a um prejuízo operacional de 200 milhões de euros e a um prejuízo líquido de 175 milhões de euros, que foram agravados por uma provisão de 308 milhões de euros para cumprir o plano da empresa para os próximos três anos, elevando assim os prejuízos para 508 milhões de euros e 409 milhões de euros, respetivamente.

«A nossa prioridade durante a crise foi, e continua a ser, a saúde e segurança dos nossos funcionários e dos nossos clientes», afirmou Pablo Isla, presidente-executivo da Inditex. «Gostaria de agradecer publicamente a todos os nossos funcionários pelo seu enorme empenho durante a crise mundial de saúde e durante o regresso gradual às nossas lojas e instalações de operações. Gostaria de destacar como consistentemente seguiram os protocolos adequados, o que transmitiu uma mensagem consistente de responsabilidade. Como sempre dissemos, as pessoas são o que realmente interessa à Inditex e acredito que a atual situação que estamos a viver prova isso mesmo», acrescentou.

O início do segundo trimestre tem sido marcado pela abertura gradual de lojas em diferentes mercados e a continuação do crescimento das vendas online. A 8 de junho, o grupo estava com 5.743 das 7.412 lojas abertas, em 73 mercados.

De acordo com o comunicado da empresa, «as vendas têm recuperado gradualmente, à medida que as lojas reabriram, com alguns mercados, como a China e a Coreia do Sul e, na Europa, a Alemanha, a destacarem-se».

Ainda assim, em maio, com apenas 52% das suas lojas abertas, as vendas caíram 51% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Já no período entre 2 e 8 de junho, as vendas em lojas físicas e online registaram uma queda de 34% face ao período homólogo de 2019.

Horizonte 2022

Juntamente com o anúncio dos resultados, Pablo Isla desvendou o plano do grupo, batizado Horizonte 2022, para os próximos dois anos, onde a digitalização terá o papel principal. O presidente-executivo revelou que a Inditex vai investir mil milhões de euros para impulsionar o negócio online e mais 1,7 mil milhões de euros para atualizar a plataforma de integração das lojas, nomeadamente com «soluções tecnológicas avançadas».

Pablo Isla

Segundo Isla, «esta estratégia é o culminar de um projeto em que a empresa tem estado a investir firme e significativamente desde 2012, que vai transformar notavelmente o seu perfil. O objetivo entre agora e 2022 é acelerar a total implementação do nosso conceito de lojas integradas, impulsionado pela noção de ser capaz de oferecer aos nossos clientes um serviço sem interrupções onde quer que estejam, em qualquer dispositivo e a qualquer hora do dia».

O projeto Open Platform da Inditex, cuja configuração começou em 2018, envolveu a criação de uma arquitetura própria de tecnologias de informação, que integra todas as operações digitais da empresa. Atualmente, está operacional a 60% e será completamente lançada entre 2020 e 2022.

Do lado do consumidor, os avanços digitais da retalhista de moda, que detém marcas como a Zara, Pull & Bear e Massimo Dutti, vão permitir, num conceito batizado como “Modo Loja”, aceder a novos serviços a partir dos websites e aplicações das marcas, como, por exemplo, consultar os stocks dos pontos de venda em tempo real para compra online e recolha imediata ou mostrar a localização precisa de um artigo específico numa determinada loja.

Online em crescimento

A Inditex espera que as vendas digitais representem mais de 25% do total até 2022, em comparação com 14% no ano fiscal de 2019. Para isso contribuirá a rede integrada de lojas físicas com o canal online, prevendo ter lojas maiores e de maior qualidade, com níveis mais elevados de rentabilidade.

Cada loja deverá servir como um centro de distribuição no coração das principais zonas de compras das cidades, podendo assim facilmente adaptar-se aos hábitos de consumo.

Para impulsionar as vendas online, a Inditex está a planear reforçar as capacidades de comércio eletrónico das suas marcas. Exemplo disso são os novos estúdios da Zara, com 64 mil metros quadrados.

O plano Horizonte 2022 implica ainda a redução do número de lojas, que deverão situar-se entre 6.700 e 6.900, em comparação com as atuais mais de 7.400. A ideia, indica o comunicado da retalhista, será abrir 450 novas lojas com a mais recente tecnologia de integração das vendas e absorver entre 1.000 e 1.200 lojas mais pequenas, que representam 5% a 6% das vendas e estão menos bem posicionadas para oferecer novas experiências ao consumidor.