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Inditex combate sinistralidade no trabalho

O Grupo Inditex (Portugal) organizou ontem uma sessão de esclarecimento sobre “prevenção e acidentes de trabalho”, em Guimarães. O debate contou com a presença de profissionais especializados na área de segurança e saúde no trabalho que se debruçaram sobre matérias direcionadas para os empresários que assistiam na plateia.

A reunião promovida pela multinacional, no âmbito de um programa interno, surge com o propósito de impulsionar a melhoria das medidas de segurança dos trabalhadores ao longo da cadeia produtiva de todos os parceiros do grupo, explicou Roberto Meneses, do departamento de sustentabilidade da Inditex em Portugal.

A par da comunicação deste projeto, foi ainda realizada uma exposição relativa à Campanha Ibérica – organizada pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e a Inspección de Trabajo y Seguridad Social (ITSS) de Espanha, durante o biénio 2016/2017, que tem por base a «informação, sensibilização e inspeção no domínio do combate à sinistralidade laboral, focada na prevenção da ocorrência de acidentes de trabalho, com o objetivo de reduzir de forma substancial os índices de sinistralidade laboral em ambos os países», segundo o descritivo do plano.

Esta campanha insere-se na estratégia nacional que visa a redução de «30% do número de acidentes de trabalho até 2020» e o aumento da competitividade, esclareceu Carlos Montemor, dirigente da ACT Portimão e coordenador nacional da campanha ibérica.

A intervenção de Carlos Montemor deu conta dos resultados registados em Portugal que assinalam, em 2014, a ocorrência de mais de 200 mil acidentes em contexto laboral. Para o ano de 2015, ainda sem dados oficiais, prevê-se um aumento deste número, projetando Portugal para o país da União Europeia com a taxa de sinistralidade mais alta.

O alerta destina-se a todos os empresários e trabalhadores, no sentido de reforçar as medidas de prevenção de riscos na utilização de máquinas e equipamentos profissionais. Foi sublinhada, ainda, a importância de avaliar os perigos, previsíveis e imprevisíveis, de cada posto de trabalho, de controlar e gerir os riscos e, principalmente, de comunicá-los aos operadores como forma de consciencialização e prevenção.

Paulo Simões, investigador da escola de engenharia da universidade do Minho, aludiu aos aspetos técnicos das ações preventivas dos acidentes de trabalho e salientou a importância da melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. Algumas medidas exemplares incidiram sobre a substituição de produtos de base solvente por produtos de base aquosa, reduzindo os efeitos nocivos para o trabalhador e para o ambiente. A rotatividade e a divisão do trabalho em células produtivas como mecanismos de reação que podem ser adotados para contrariar a exposição do operário ao trabalho monótono – responsável por problemas psicossociais e doenças, por exemplo, do foro músculo-esquelético. E o condicionalismo do ambiente térmico apontado como um fator de influência direta e indireta sobre a saúde e bem-estar dos trabalhadores e que exige um controlo e uma monotorização das variáveis individuais e ambientais.

Os números divulgados no relatório anual do Grupo Inditex mostram que, em Portugal, existem cerca de 1.500 empresas a trabalhar com o retalhista, mobilizando aproximadamente 47 mil trabalhadores,

O painel que compôs a sessão contou ainda com a participação de Victor Garrido, representante da IndustriALL Global Union, Indalecio Perez, do departamento de sustentabilidade do grupo Inditex, Miguel Costa, representante da ACT e diretor do centro local do Ave, Alcino Xavier, técnico superior da ACT, Manuel Freitas, coordenador da Fesete, e Osvaldo Pinho, secretário-geral do Sindeq.