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Inditex confirma crescimento no 1.º trimestre

A casa-mãe da Zara cresceu em todos os parâmetros, ficando em linha com as expectativas dos analistas. Nos primeiros três meses do ano fiscal, a Inditex somou 6,74 mil milhões de euros em vendas e 760 milhões de euros em lucros, equivalente a mais 36% e mais 80%, respetivamente, que em igual período de 2021.

[©Zara]

O crescimento registado no período entre 1 de fevereiro e 30 de abril de 2022 é atribuído, pela Inditex, a uma recuperação acentuada do tráfego em loja e à boa recetividade das novas coleções das suas sete marcas. Este aumento foi praticamente transversal a todos os mercados, com a exceção da Ucrânia e da Rússia, onde as vendas da gigante espanhola estão suspensas desde 24 de fevereiro e 5 de março, respetivamente, e da China, onde 67 lojas foram afetadas pelos recentes confinamentos relacionados com a pandemia.

A Inditex realça ainda, em comunicado, o forte crescimento do mercado americano, que cimentou a sua posição como o segundo maior para a retalhista, e das vendas online, que apesar de terem caído 6% em termos anuais, «consolidam quase todo o crescimento de 67% registado no primeiro trimestre de 2021».

Óscar García Maceiras [©Inditex]
Para Óscar García Maceiras, CEO da Inditex, estes números são fruto de «um modelo bem diferenciado que tem dado resultado. A força e adaptabilidade do modelo de negócio e a excelente performance das nossas equipas criativas, de vendas e de operações estão a impulsionar a diferenciação, sublinhada por um foco estratégico em inovação, digitalização e sustentabilidade». Além do crescimento de 36% do volume de negócios e de 80% do lucro líquido, as margens brutas também subiram para 60,1%, «o nível mais elevado numa década».

Em relação ao segundo trimestre, as perspetivas são igualmente positivas. «As coleções primavera-verão receberam uma resposta excelente dos clientes do grupo. As vendas aumentaram 17% a câmbios constantes entre 1 de maio e 5 de junho de 2022».

Analistas preocupados

Os resultados ficaram em linha com as expectativas dos analistas da JP Morgan, Goldman Sachs e CaixaBank, mas vários manifestaram a sua preocupação com a capacidade da especialista em fast fashion continuar com aumentos de preços sem afetar a procura. «Acredito que a Inditex vai aumentar mais os preços à medida que o ano avança, tendo em conta as questões abrangentes de custos na indústria, mas a reação do consumidor a isso é ainda um grande ponto de debate», aponta Adam Cochrane, analista do Deutsche Bank à Reuters.

[©Inditex]
A empresa proprietária da Zara está igualmente a reforçar o inventário para não ter falta de stocks por causa das dificuldades na cadeia de aprovisionamento, o que é considerado um risco pelos analistas. «Esta acumulação de inventário tem o potencial de ser um problema se as condições económicas continuarem a piorar e os consumidores eventualmente fecharem as suas carteiras», explica, à Reuters, Laura Hoy, analista da Hargreaves Lansdown. «Por agora, isso não parece ser um problema para a Inditex, cujas roupas trendy continuam a ter um lugar nos orçamentos em queda», afirma.