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Inditex confirma importância de Portugal

Na apresentação dos resultados anuais, que revelaram que as vendas da Inditex ultrapassaram, pela primeira vez, os 26 mil milhões de euros, Pablo Isla garantiu que as empresas portuguesas são um parceiro estratégico para o plano de negócios da gigante da fast fashion.

Segundo o presidente do conselho de administração e CEO do grupo espanhol fundado por Amancio Ortega, citado pela Lusa, as empresas portuguesas têm e continuarão a ter um papel «chave» no fornecimento da Inditex, cujo negócio assenta na «produção de proximidade» em Portugal, Espanha e Marrocos.

«Em termos de produção não há uma variação significativa no peso dos fornecedores de Portugal [em 2018 face a 2017]. Portugal é um dos nossos mercado-chave em termos de produção e fornecimento e vai continuar a ser no futuro», garantiu Pablo Isla.

Aliás, acrescentou, em 2018 «muitos fornecedores [em Portugal] aumentaram as vendas» para a Inditex – uma ideia confirmada por Luís Guimarães, presidente do grupo Polopique, que ao Jornal Têxtil tinha já indicado, em dezembro, que «só da Inditex tivemos um aumento de 20%».

Em 2017, Pablo Isla referiu que as empresas portuguesas tinham um peso de 20% no aprovisionamento de produtos do grupo Inditex, um valor que, adiantou hoje, deverá ter-se mantido inalterado no ano passado, «independentemente de qualquer questão ou quebra pontual em determinada campanha».

«Para nós, a produção de proximidade em Portugal, Espanha e Marrocos é importantíssima para a essência do negócio e para a qualidade da confeção, independentemente de qualquer questão ou quebra pontual em determinada campanha, mas sem impacto na evolução estratégica do volume de produção nos nossos mercados de proximidade», destacou Pablo Isla

Novos recordes

As afirmações do presidente do conselho de administração e CEO do grupo Inditex foram feitas durante a apresentação dos resultados do ano fiscal de 2018, terminado a 31 de janeiro de 2019, que revelaram novos recordes para a empresa galega.

As vendas líquidas do grupo cresceram 3%, para 26,14 mil milhões de euros, o maior valor de sempre, enquanto as vendas comparáveis aumentaram 4%. Embora esta taxa de crescimento seja «menos de metade da taxa de crescimento da Inditex há apenas dois anos atrás», como indicou, numa nota citada pela Reuters, o Morgan Stanley, Pablo Isla considera que os resultados são «muito sólidos», apesar do impacto do câmbio, «sem o qual o crescimento seria muito mais significativo».

O lucro bruto subiu 4%, para 14,8 mil milhões de euros, enquanto o lucro líquido aumentou 2%, para 3,44 mil milhões de euros, um valor que ficou abaixo das expectativas dos analistas, que antecipavam 3,49 mil milhões de euros. A margem bruta cresceu 39 pontos base, para 56,7%.

O grande destaque foi para as vendas online, que registaram um crescimento de 27% em termos anuais, para 3,2 mil milhões de euros, representando 12% das vendas totais do grupo, em comparação com 10% em 2017. Os websites do grupo tiveram 2,94 mil milhões de visitas – o que reflete um crescimento de 500 milhões em termos anuais – e 9.500 encomendas por minuto.

Estes números deverão subir entretanto, com a Zara a dever lançar o seu site online no Brasil no próximo dia 20 de março, estando ainda previstos novos portais de comércio eletrónico, já com a coleção de primavera, nos Emirados Árabes Unidos, no Dubai, na Arábia Saudita, no Egito, na Indonésia, em Israel, no Líbano, em Marrocos e na Sérvia.

Em termos de lojas físicas, o grupo tinha anunciado a abertura de 300 a 400 lojas e o encerramento de 200, mas acabou por abrir 370 e encerrar 355. «Este processo de ajustar o seu portefólio de lojas está a surpreender os investidores e a acontecer mais rápido do que as pessoas esperavam», sublinhou Alistair Wittet, gestor de portefólio da Comgest, em declarações à Reuters. «Isso pesa naturalmente no crescimento das vendas a curto prazo, mas penso que é a estratégia certa a longo prazo», acrescentou.

Para Pablo Isla, «os nossos investimentos em logística e nas lojas para alavancar a plataforma integrada, assim como a continuação do nosso foco em localizações de excelência, permitiram à Inditex oferecer aos consumidores uma posição consistente e atrativa em todo o mundo, em todas as nossas marcas e canais».

As vendas do grupo espanhol aumentaram 7% nas cinco primeiras semanas do novo ano fiscal, alimentadas pela procura pela coleção primavera-verão. Os objetivos da Inditex passam agora por aumentar as vendas comparáveis em 4% a 6% no ano fiscal que termina a 31 de janeiro de 2020.