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Inditex e H&M no pódio

Destacando-se como as duas maiores retalhistas de vestuário do mundo, não surpreende que a Inditex e a H&M continuem a superar os seus pares, apresentando cadeias de aprovisionamento líderes de mercado, unidas por especificidades comuns.

Os mais recentes índices publicados pela empresa de pesquisa de tecnologia Gartner confirmam o talento destas duas empresas, que ocupam o segundo e terceiro lugar, respetivamente, na lista das quinze organizações de cadeia de fornecimento europeias.

Superadas apenas pela Unilever, são as únicas empresas de vestuário a figurarem no índice, ocupando o pódio pelo segundo ano consecutivo.

Considerando o retorno dos ativos, rotação de stocks, o crescimento da receita e reconhecimento do eleitor para obtenção de uma pontuação composta, a Gartner elogia a Inditex pelo «seu modelo de negócios verticalmente integrado, inovador mas simples, aplicado às suas oito marcas, incluindo Zara, Massimo Dutti, Bershka e Stradivarius».

O retalhista espanhol coloca o cliente no centro do seu processo de tomada de decisão e a flexibilidade e rapidez da colocação dos produtos no mercado são conseguidas através de um processo de execução interna, que congrega as várias etapas em apenas duas semanas.

A Inditex está a potenciar esta integração vertical, lançando um sistema de rastreamento de identificação por radiofrequência (RFID) reutilizável em todas as peças vendidas nas suas lojas Zara, adiantou a Gartner. Este sistema permite uma contagem de stock mais eficiente – até 90% mais rápida, mais frequente e mais precisa – reposição de stock decorrente das vendas, controlo de segurança reforçado e, por último, a disponibilização de um melhor serviço para os clientes que procuram produtos específicos nas lojas físicas e online.

Em acréscimo, a sustentabilidade da cadeia de fornecimento continua a ser uma prioridade para a Inditex, que continuará a aplicar o seu Plano Estratégico até 2018. Atualmente, 51% das suas mais de 6.600 lojas são eco eficientes, uma qualidade que se deverá estender à totalidade dos seus espaços até 2020. A empresa possui, também, programas de impacto ambiental e social focados em cada fase do ciclo de vida do produto, desde a matéria-prima até à sua reutilização. A base destes programas é a rastreabilidade operada através dos seus mais de 1.600 fornecedores e 5.000 parceiros de fabricação.

Rumo ao progresso

O retalhista sueco H&M, por sua vez, permanece imperturbável, revelando-se imune às condições difíceis de comércio globais, apresentando o maior crescimento alguma assinalado no decorrer dos últimos três anos (12,8%) entre empresas europeias, mas também o maior retorno dos ativos (26,6%).

«Isto comprova o forte compromisso, natureza inclusiva e estilo progressivo da sua liderança», disse a Gartner.

Operando mais de 3.500 lojas em 55 países, bem como uma ampla presença online em rápido crescimento, a H&M aplica um modelo de outsourcing, que permite ao retalhista estabelecer, escalar ou abandonar as suas relações com fornecedores ou presença num determinado mercado de vendas rapidamente.

As iniciativas de sustentabilidade da marca focam-se em ações-chave transversais, tais como o uso de materiais mais sustentáveis ​​na confeção do vestuário, redução das emissões de gases de efeito estufa, exigência do cumprimento do código de conduta empresa e tolerância-zero à corrupção.

Temas comuns

Não surpreende, no entanto, que existam desafios e particularidades comuns às principais organizações de cadeia de fornecimento europeias.

Independentemente do sector, estas empresas concentram-se, simultaneamente, na expansão global e resposta local. Estas empresas possuem diversos espaços de venda, fornecedores e operam em vários países, pelo que procuram definir metas globais agressivas, mantendo a flexibilidade da abordagem aos mercados locais.

Nas suas mais variadas abordagens, desde a introdução de novas categorias de produtos à aproximação aos mercados emergentes, contemplando a adoção de um modelo multicanal ou melhoria do atendimento ao cliente, os líderes aplicam um mecanismo de segmentação, que permite criar um portefólio de modelos padrão, capaz de responder às diferentes necessidades do utilizador final.

Com base na visibilidade consagrada pela tecnologia, estas empresas trabalham de forma colaborativa através de redes. Isso traduz-se num foco particular na efetuação de vendas e desempenho das operações, criando um fórum de tomada de decisão em todas as funções da cadeia de fornecimento, incluindo parceiros de negócios internos, fornecedores e clientes.

Cientes do potencial dos meios digitais, estas empresas testam novos produtos, embalagens e abordagens operacionais, potenciados pelas novas tecnologias digitais. As principais cadeias de abastecimento estão a explorar formas de digitalizar a sua cadeia de abastecimento, assim como a testar a aplicação de tecnologia de sensores e de impressão 3D.

Para estas empresas, a transformação não é um evento único, é um processo contínuo. A melhoria da qualidade e iniciativas de normalização, focadas na excelência operacional, são privilegiadas no seio destas organizações e conduzem a uma mudança disruptiva transversal destas unidades.

Simultaneamente, a tecnologia é amplamente reconhecida e aceite pelas funções de elevado desempenho das cadeias de abastecimento como um elemento facilitador da execução.

As principais empresas europeias adotam medidas que superam as metas ambientais estabelecidas pelos reguladores europeus, adotando mudanças operacionais de longo-prazo, num momento em que a sustentabilidade é destacada em diversas estratégias corporativas. Desta forma, estabelecem metas significativas de sustentabilidade e adotam projetos que consideram diversas variáveis, entre eles os materiais de sourcing, gestão de fornecedores, uso de energia, uso da água, controlo de resíduos, emissões de gases com efeito de estufa, design de produto e design de embalagens.