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Inditex fecha lojas na Venezuela

O grupo espanhol, detentor de marcas como Zara, Bershka e Pull & Bear, vai encerrar todos os seus pontos de venda na Venezuela ao longo das próximas semanas, uma vez que o acordo com a parceira local, a Phoenix World Trade, encontra-se sob revisão, segundo um porta-voz da empresa latino-americana.

[©Inditex]

A Phoenix World Trade, empresa sediada no Panamá e controlada pelo empresário venezuelano Camilo Ibrahim, assumiu a operação das lojas da Inditex no país sul-americano em 2007. «A Phoenix World Trade está a reavaliar a presença comercial das marcas franqueadas Zara, Bershka e Pull & Bear na Venezuela, para torná-la consistente com o novo modelo de integração e transformação digital anunciado pela Inditex», explicou a empresa à Reuters. «As cinco lojas que continuam abertas vão deixar de funcionar nas próximas semanas», revelou.

Ao contrário da Phoenix World Trade que respondeu ao pedido de mais informações da Reuters, a Inditex não prestou qualquer esclarecimento sobre esta questão.

Estes fechos de portas ocorrem numa altura em que a Inditex, o maior grupo de retalho de vestuário do mundo, procura substituir pequenos outlets a nível global por flagships, estando previsto um total de 1.200 encerramentos até ao final do ano. Na Europa devem fechar 700 espaços comerciais da retalhista espanhola, na América 100 e mais 400 noutras partes do mundo.

Pelo menos em três grandes centros comercias venezuelanos, os pontos de venda anteriormente ocupados pela Zara e pela Pull & Bear estão agora vazios, de acordo com dois executivos do retalho local que optaram por manter o anonimato. Em Caracas, fecharam três lojas em maio, segundo testemunhas da Reuters. Os espaços Zara ainda abertos até à semana passada na capital estavam a vender artigos da coleção da primavera.

[©Inditex]
Camilo Ibrahim tornou-se o parceiro local da Inditex em 2007 para ajudar a lidar com a mudança das regulamentações locais e manter as prateleiras abastecidas, enquanto o governo do ex-presidente socialista Hugo Chávez exercia um controlo rígido sobre o mercado de câmbio estrangeiro e as empresas precisavam da aprovação do governo para comprar os dólares necessários para importar vestuário, o que ocasionalmente deixava as lojas sem roupa para vender.

Apesar da decisão de fechar os espaços comerciais da Zara, os empresários venezuelanos estão atualmente autorizados a importar bens e a vendê-los a preços de moeda forte, após anos de controlo dos preços em muitos artigos-chave. Lojas de luxo conhecidos como bodegones e cafeterias que anunciam preços em dólares surgiram como parte de uma liberalização económica caótica no país.

As paredes brancas que bloqueiam a entrada de um ponto de venda Zara encerrado em Caracas anunciam a inauguração de uma loja com o nome de Lola, uma marca desconhecida no país.