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Inditex ganha em casa

De acordo com os analistas, a empresa-mãe da Zara vai dar, até 2016, o seu maior salto de crescimento no mercado interno, impulsionado pela dupla fast fashion e marcas premium. Apesar da escalada, a Inditex continua a ter performances mistas nos mercados europeus e perdeu os EUA para a H&M.

Posicionado em terceiro lugar no mercado mundial de vestuário e calçado em 2015, com uma quota de valor de 1%, a detentora das marcas Zara e Massimo Dutti deverá apresentar um crescimento recorde de 3,8 mil milhões de dólares (aproximadamente 3,4 mil milhões de euros) em Espanha entre 2015 e 2020, de acordo com o Euromonitor.

Os analistas revelam que, no ano passado, o mercado espanhol gerou 19% das vendas do grupo e que esta performance irá beneficiar o negócio global da empresa.

No entanto, as vendas na Europa Ocidental como um todo, diminuíram. Em 2015, a Europa Ocidental respondeu com 50% das vendas da Inditex, abaixo dos 64% de 2010. Em comparação, a concorrente Hennes & Mauritz registou 63% das vendas na região.

Ainda assim, na Inditex, a Europa Ocidental deverá apresentar um crescimento global de 7 mil milhões de dólares entre 2015 e 2020, performance motivada pelo arranque da recuperação da região. Contudo, os analistas alertam para os resultados distintos entre mercados, com a previsão de um declínio de 1,6 mil milhões de dólares em França e um crescimento de 2 mil milhões na Turquia, por exemplo.

«A mistura de fast fashion e marcas premium da Inditex permitiu que a empresa crescesse cerca de 3% ao ano entre 2010 e 2015, apesar da fraqueza macroeconómica de muitos mercados, porque o seu modelo de negócios é favorecido pelos consumidores sensíveis a preços», explicam os analistas do Euromonitor ao Just-Style. «Os hábitos de compras cautelosos persistem, apesar da recuperação económica. Provavelmente, esta é a principal razão para o lançamento da marca lowprice Lefties, que tem pontos de preço muito mais baixos do que os praticados pela Zara», acrescentam.

Apesar de a H&M ter gerado maior percentagem de vendas na Europa Ocidental do que o grupo Inditex, este último tem sido mais rápido a desenvolver a sua estratégia online, aponta o Euromonitor, enquanto a H&M ficou para trás, diluindo o seu alcance global. «Com plataformas online totalmente operacionais em mais de 29 mercados, o grupo Inditex está muito melhor posicionado para capitalizar com a crescente procura de retalho online», acreditam os analistas.

O grupo de Amancio Ortega tem também estendido os seus tentáculos aos mercados emergentes e continua a beneficiar das vantagens de antecipação nos mercados de toda a América Latina, Índia e África do Sul. No entanto, a H&M ultrapassou a Inditex nos EUA. «Como maior mercado de vestuário e calçado do mundo, a Inditex terá de solidificar a sua posição nos EUA, a fim de garantir o crescimento futuro», aconselham os analistas.

A empresa-mãe da Zara revelou fortes resultados no primeiro trimestre graças à sua expansão geográfica e crescimento de vendas em todas as regiões. O grupo está presente em 91 mercados, depois de aberturas em Aruba, Nicarágua e Paraguai já em 2016.

No final de julho, os analistas da Bernstein apresentaram o grupo espanhol como derradeiro vencedor das competições da fast fashion (ver Inditex: os vencedores e os vencidos), com os arquirrivais incapazes de copiar o modelo de negócio eficiente da Zara.