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Inditex lucra €214 milhões de maio a julho

Os números do segundo trimestre da retalhista espanhola marcam o regresso aos lucros, depois do confinamento ter levado a um prejuízo líquido de 175 milhões de euros no primeiro trimestre. A integração digital e um crescimento das vendas online – que atingiu, num dia, um milhão de encomendas – estão a contribuir para a retoma.

[©Zara]

No segundo trimestre, as vendas recuperaram face ao trimestre anterior e caíram 31% (entre fevereiro e abril, a queda tinha sido de 44%), «apesar de 87% das lojas do grupo ainda estarem fechadas em maio», destaca a retalhista, que revela que atualmente estão abertas 98% das lojas. No total, as vendas líquidas atingiram 4,7 mil milhões de euros, em comparação com 6,9 mil milhões de euros no mesmo período do ano passado.

Os lucros líquidos aumentaram para 214 milhões de euros, em comparação com 175 milhões de euros de prejuízo líquido no primeiro trimestre.

«A recuperação e a forte performance devem-se ao trabalho árduo, envolvimento e criatividade de toda a gente na Inditex», afirma, em comunicado, Pablo Isla, presidente executivo do conselho de administração do grupo espanhol. «Estou particularmente agradado com o crescimento das nossas vendas online, que demonstra a importância crítica da nossa estratégia de plataforma integrada de lojas e online. É um marco no nosso modelo de negócio único com três pilares essenciais: flexibilidade, integração digital e sustentabilidade. A cada dia esta combinação está a mostrar a sua solidez», acredita.

Primeiro semestre ainda no vermelho

Apesar da recuperação no segundo trimestre, os números dos primeiros seis meses continuam no vermelho, com um prejuízo de 195 milhões de euros (incluindo a provisão de 308 milhões de euros que a empresa estabeleceu para o programa avançado de digitalização das lojas).

Entre 1 de fevereiro e 31 de julho, as vendas da Inditex atingiram 8 mil milhões de euros, o que representa uma queda de 37% em comparação com o mesmo período de 2019.

[©Zara]
Já as vendas online registaram um aumento de 74% nos primeiros seis meses do ano fiscal e são um dos motores de crescimento da retalhista, que no segundo trimestre recebeu, num único dia, e pela primeira vez, um milhão de encomendas. «Nos primeiros sete meses (de fevereiro a agosto), as marcas da Inditex receberam cerca de 3 mil milhões de visitas online e as suas redes sociais atingiram um recorde de 190 milhões de seguidores», destaca a retalhista.

A tendência de rápida recuperação continua, contudo, no terceiro trimestre, com as vendas em moeda local entre 1 de agosto e 6 de setembro a caírem 11% em comparação com o mesmo período do ano passado – um valor positivo, sobretudo tendo em conta que, nesse período, as vendas tinham subido 8% face ao período homólogo de 2018, realça a Inditex.

Para Chloe Collins, analista sénior de retalho da GlobalData, «as vendas no último mês são particularmente promissoras», graças «aos esforços de digitalização do grupo, gamas de produto inspiradas e preços base acessíveis, que servem os consumidores financeiramente atentos», adianta ao just-style.com.

Digitalizar para crescer

A Inditex progrediu ainda no seu plano Horizonte 2022 e na semana passada implementou o projeto “Modo Loja” em 25 lojas em Espanha. O projeto basicamente digitaliza as lojas e permite aos clientes aceder, através da app da Zara, ao inventário disponível naquele ponto de venda, comprar os artigos disponíveis e recolhê-los em loja em apenas 30 minutos. Quando já na loja física, os consumidores podem usar a app para encontrar os artigos que pretendem ou ainda para marcarem um provador para experimentarem as roupas sem que tenham que esperar que um fique livre.

A plataforma integrada da Zara também chegou a mercados como Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru e Argélia e a loja online da principal insígnia da retalhista foi lançada no Chile, Macedónia do Norte, Montenegro, Tunísia e Andorra.

[©Inditex]
Já no mundo real, a Inditex abriu 14 lojas de grande formato em 14 mercados nos primeiros seis meses do ano fiscal e reformulou 72 lojas, 35 das quais implicaram um aumento do espaço. «Isto está em linha com o compromisso estratégico da empresa de ter unidades maiores, ao mesmo tempo que continua a absorver lojas mais pequenas que não são tão eficientes para o modelo de loja completamente integrado», justifica o grupo espanhol em comunicado.