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Indústria americana supera expectativas

Um novo estudo do Institute for Supply Management a responsáveis de empresas de produção industrial e serviços mostra um renovado otimismo, com a projeção de subidas na capacidade produtiva, no volume de negócios e até no número de trabalhadores em 2021.

[©Pixabay/Anna Ventura]

Os dados do estudo sobre as previsões económicas semestrais relativo à primavera deste ano do Institute for Supply Management (ISM) parecem indicar que a recuperação económica nos EUA vai continuar no resto de 2021.

Com os casos nos EUA a baixarem e a vacinação a prosseguir, as respostas dos inquiridos, que incluem executivos de compras e aprovisionamento, mostram que há a expectativa de crescimento tanto no sector da produção, como dos serviços. A capacidade produtiva, o investimento de capital e o volume de negócios deverá aumentar em ambos os sectores, refere um artigo publicado no site do ISM.

Há um ano, o painel de inquiridos projetava quedas de dois dígitos no volume de negócios para 2020, algo que acabou por não se concretizar, já que, de acordo com o inquérito relativo a dezembro de 2020, as quebras foram menos acentuadas. E nos primeiros quatro meses deste ano, alguns dos indicadores excederam «as projeções otimistas» feitas pelos inquiridos em dezembro, com as expectativas atuais a terem comparações positivas face aos dados recolhidos em dezembro de 2019, antes da pandemia.

O volume de negócios deverá aumentar 7,2% na produção, relativamente melhor do que a previsão de mais 6,9% projetada em dezembro. No sector dos serviços, o painel antecipa um crescimento de 5,4% do volume de negócios (em dezembro, a projeção era de 1,6%).

Todas as 18 indústrias antecipam um aumento nas receitas em 2021 e entre as expectativas de maior crescimento está o vestuário, peles e produtos similares.

«Não foi um ano mau para a indústria em 2020, tendo em conta tudo o que se passou», afirmou Timothy Fiore, presidente do comité na área da produção industrial do ISM, durante o debate das conclusões do estudo. «Por isso, uma taxa de crescimento de 7,2% do volume de negócios é muito boa, quase o dobro da taxa de crescimento que esperávamos ter em 2020… Estamos a ver um ano forte e tudo para 2022 parece igualmente positivo», acrescentou.

No caso dos serviços, 16 das 18 áreas antecipam um crescimento, nomeadamente o comércio por grosso. «Os nossos inquiridos sempre sentiram que a segunda metade de 2021 iria ser melhor do que o primeiro semestre», referiu Anthony Nieves, presidente do comité na área dos serviços do ISM. «5,4% é um número muito forte», salientou.

Produção e emprego a crescer

Previsões otimistas, sobretudo tendo em conta o aumento dos preços sentido nos primeiros quatro meses do corrente ano, que a indústria coloca em 8,3% e os serviços 4,9%. No entanto, os inquiridos esperam que os valores nivelem no resto do ano. «Acreditamos que as coisas chegaram a um pico, mas houve alguns números dramáticos», admitiu Timothy Fiore. «Acho que nunca vi números tão altos – temos de voltar à inflação [no início dos anos 80], quando as pessoas estavam a pagar taxas de juro de dois dígitos nos empréstimos de casa. Parece que estamos no topo, onde os preços não podem aumentar mais do que já aumentaram. Mas é um desafio», reconheceu.

[©US Department of Labor]
As taxas de operação na indústria e nos serviços – que mede quão perto está um negócio da sua capacidade total – estão nos níveis mais elevados desde dezembro de 2017: 88,3% na indústria, que espera um aumento de capacidade produtiva de 6,6% em 2021; e de 89,4% nos serviços, onde é antecipado um aumento de 2,3% este ano.

O ISM sublinha que os níveis de produção irão exigir mais trabalhadores. O emprego na produção industrial deverá subir 2,8%, embora 49% dos inquiridos não espere aumentar o número de pessoas nas suas empresas. A indústria têxtil é um dos 15 sectores a projetar uma subida no emprego. Já nos serviços, o aumento do emprego deverá ser de 2,5%, apesar de 57% dos inquiridos não anteciparem mudanças nas suas empresas.

Os EUA enfrentam ainda uma escassez de mão de obra. «Falta trabalhadores que possam ser admitidos e mão de obra qualificada. A indústria de construção tem sentido falta de trabalhadores há vários anos, agora estamos a sentir o mesmo noutras indústrias. Tem sido difícil preencher vagas», apontou Anthony Nieves.