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Indústria da moda enfrenta crise existencial

A pandemia do novo coronavírus está a provocar uma verdadeira crise existencial no mundo da moda: a produção cessou, as lojas fecharam e a procura caiu abruptamente. As coleções de primavera-verão, apresentadas em setembro nas diferentes semanas de moda, continuam nas prateleiras.

Kenzo

Sem férias e confinados a casa, os consumidores deixaram para segundo plano a compra de vestuário. As vendas caíram 34% em março.

«Ninguém quer comprar roupa para ficar sentado em casa», afirmou o diretor executivo da Next, Simon Wolfson, no mês passado. «Isto levou a uma crise existencial real para a indústria da moda», reconhece Imran Amed, fundador e presidente-executivo do website The Business of Fashion, que produziu um relatório sobre o impacto do surto de Covid-19.

«Esta indústria ainda é quase dependente do comércio físico. Mais de 80% das transações na indústria da moda ainda acontecem em lojas físicas», explica, citado pela BBC News.

Imran Amed

«A grande maioria dos consumidores não está atualmente interessada em comprar roupa. O foco está na compra de bens essenciais para sobreviver durante o confinamento», acrescenta.

Com a quebra registada nas vendas, a grande questão agora é como escoar a mercadoria acumulada em lojas e armazéns. Até porque, como observou o The Economist, muitos dos produtos de moda não saem da loja, mas saem de moda.

Muitas retalhistas têm optado por vender a preço de saldo, com clara redução das margens. A Gap e a H&M, por exemplo, estão a fazer promoções no meio da estação. Já a Uniglo tenta promover os artigos que têm mais procura nesta altura, como roupa confortável e de corrida. A Browns, em Londres, registou um aumento de 70% no loungewear.

Imran Amed prevê mesmo que muitas cadeias de moda ofereçam promoções com o passar do tempo. Já sobre o calendário de moda e as coleções sazonais, Amed relembra que existem dois hemisférios no mundo: «quando é verão numa parte, é inverno noutra». Logo, acredita, «que existem maneiras criativas de redistribuir essas coleções».

Sobre os designers que esperam utilizar em 2020, a coleção de 2020, Amed admite que «essa solução funcione para todas as marcas, mas penso que superar esta situação exigirá uma criatividade real».

Emily Canham

Outro dos impactos da quebra nas vendas é a suspensão da publicidade. A aposta tem sido continuar a apostar nos influenciadores de media para promover produtos.

Emily Canham, que tem mais de 700 mil seguidores no Instagram, promove regularmente serviços e produtos, incluindo alimentos saudáveis, maquilhagem, serviços de streaming, férias e roupas.

A influenciadora digital assegura que «os meus seguidores usam o que os faz sentir ótimos e poderosos, em vez de aderirem às tendências sazonais tradicionais. É sobre como se usa e não em que estação é usada».

De resto, não é ainda claro se as semanas de moda, de Londres, Paris, Nova Iorque e Milão, que habitualmente decorrem em setembro, se irão realizar nos moldes tradicionais, ou se, pelo contrário, iremos assistir a desfiles de moda on-line, caso se mantenham as medidas de distanciamento.

Por exemplo, a MET Gala de maio, um evento incontornável do calendário de moda, já está a decorrer virtualmente, com Billy Porter a incentivar as pessoas a recriarem o seu tapete vermelho favorito.