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Indústria de calçado une-se contra Covid-19

#alltogether dá o mote à iniciativa da indústria do calçado para produzir equipamentos de proteção para o combate ao Covid-19, num movimento que junta cerca de 20 empresas com o apoio do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal e da associação sectorial APICCAPS.

Luís Onofre

«Este movimento surgiu com o objetivo de apoiar a comunidade e colmatar as evidentes lacunas de material com que os profissionais de saúde se deparam no quotidiano», explica a APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos em comunicado. «Várias empresas de calçado de Felgueiras, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira dedicaram-se à produção de máscaras e viseiras, seguindo as especificações técnicas da Autoridade de Saúde Pública em coordenação com o CTPC [Centro Tecnológico do Calçado de Portugal]», revela.

Há ainda empresas, incluindo a liderada por Luís Onofre, presidente da APICCAPS, que estão a produzir máscaras não-cirúrgicas, também chamadas sociais. «Seguindo o movimento iniciado pela empresa Vitorino Coelho (uma das primeiras do sector a iniciar a produção de máscaras), Luís Onofre conta com uma produção diária atual de 500 unidades», indicou, em comunicado, a empresa, antecipando aumentar a produção para 800 unidades, a serem distribuídas por «várias instituições do concelho de Oliveira de Azeméis e arredores. Hospital de Santa Maria da Feira, Hospital de Famalicão, Centro Dial, Lar Geribranca, Lar Pinheiro da Bemposta, Lar Pró Outeiro e Cruz Vermelha».

As máscaras não-cirúrgicas são, desde ontem, 13 de abril, aconselhadas pela Direção Geral de Saúde à população em geral para deslocações a locais com muitas pessoas, como supermercados ou farmácias, estando a ser preparadas as respetivas fichas técnicas com o apoio do CITEVE.

Viseiras e calçado gratuitos

Além das máscaras, as empresas de calçado têm mostrado a sua solidariedade de outras formas.  A especialista em calçado profissional Wock, do grupo Procalçado, por exemplo, vai oferecer 3.000 pares de calçado aos profissionais de saúde e entidades de serviços públicos e privados, que podem fazer o seu pedido online no site da Wock. «Apesar de estarmos perante uma fase em que a procura dos nossos produtos aumentou significativamente, visto que o nosso calçado é um Equipamento de Proteção Individual, quisemos apoiar os profissionais que estão a travar uma luta que é de todos nós», afirma, em comunicado, José Azevedo Pinto, CEO da Wock.

Wock

Já a empresa de solas Atlanta está, segundo a APICCAPS, a produzir viseiras, que terão como destino profissionais de saúde. «Fizemos um protótipo inicial e uma série de cerca de 700 unidades que, entretanto, e após feedback de profissionais de saúde, foi melhorado e temos, atualmente, em curso e em fase final de produção, uma série de cerca de 5.000 unidades», afirmou, no início deste mês, o responsável da empresa Paulo Ribeiro. As primeiras viseiras foram entregues às Câmaras Municipais, nomeadamente de Felgueiras, onde a empresa está sediada, para distribuir pelas diferentes instituições. «Outras serão entregues diretamente a hospitais da primeira e segunda linha do combate ao Covid-19 da Região Norte», adiantou.

A Jobel seguiu o mesmo caminho, após «um contacto de uma enfermeira do Centro Hospitalar de São João que procurava viseiras. Desenvolvemos um modelo que foi para aprovação ao gabinete competente (UPCIRA). Fizemos as afinações necessárias para obtermos a homologação», explicou Dulce Cardoso, responsável pela empresa.

Também a Rufel substituiu temporariamente a produção de marroquinaria pela produção de viseiras e a Toworkfor/AMF Safety Shoes – em parceria com a Aloft – adaptou a sua produção e criou as Washy Clogs, socas em PVC ou SEBS que são confortáveis, leves e possuem boa resistência à abrasão e desempenho antiderrapante.