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Indústria de peles contra-ataca com rastreabilidade

A International Fur Federation apresenta o Furmark, um sistema global de certificação e rastreabilidade que afirma não só garantir o bem-estar animal e as normas ambientais como também transformar a forma como as peles são processadas na cadeia de aprovisionamento.

[©Pixabay]

O grupo de natureza comercial, composto por 55 membros de 38 países, desenvolveu o programa de certificação com contribuições do conglomerado francês LVMH, que detém marcas como Fendi, Givenchy e Louis Vuitton.

Este passo da indústria de peles foi dado como resposta aos vários estudos que têm surgido, como o da Vegan Society, que revela que 61% dos britânicos acreditam que o uso de pele é cruel e 33% consideram-no mesmo desatualizado. Outra pesquisa de 2020, da Humane Society International e da YouGov, indica que 93% dos britânicos não usam peles e 72% apoiam a proibição total da importação e venda deste material no Reino Unido.

Neste sentido, desde março, marcas como Alexander McQueen, Balenciaga, Canada Goose, Saks Fifth Avenue, Mackage, Mytheresa, Neiman Marcus, Oscar de la Renta e Valentino anunciaram planos para suspender ou eliminar o uso de peles nos respetivos negócios. Já em junho, Israel tornou-se o primeiro país do mundo a proibir totalmente a venda de peles.

«A indústria de peles causa a morte de centenas de milhões de animais em todo o mundo e causa crueldade e sofrimento indescritíveis. Usar a pele e os pelos de animais selvagens para a indústria da moda é imoral e certamente desnecessário. Casacos de pele de animais não podem tapar a indústria que os fabrica de assassinatos brutais», explicou Gila Gamliel, ministra israelita, na altura em que comunicou a decisão, citada pelo Sourcing Journal.

Contra tudo isto, a International Fur Federation (IFF) quis mudar a forma como a pele é vista, já que até então o grupo tinha procurado alternativas sintéticas, habitualmente derivadas de fibras plásticas e também versões mais sustentáveis obtidas da polpa de madeira.

Uma nova visão

«Se as pessoas tinham dúvidas sobre comprar ou usar pele natural, [essas dúvidas] foram respondidas com o Furmark. O nosso comércio secular está a passar pela transformação mais significativa até hoje; os produtos rastreáveis ​​e sustentáveis ​​representam a alternativa real à fast fashion», defende Mark Oaten, CEO da IFF.

[©Louis Vuitton]
Na prática, os produtos que recebem o selo de aprovação Furmark apresentam um código alfanumérico exclusivo que inclui informações como o tipo e origem da pele, bem como o nome do fabricante e a localização. Além disso, os produtos certificados também devem ser processados por fiações e tinturarias que respeitem a norma SafeFur, que envolve ensaios de terceiros em matéria de sustentabilidade, uso de produtos químicos, emissões e segurança do produto.

«O Furmark garante o bem-estar animal e normas ambientais e ilustra a nossa ambição comum de proporcionar uma certificação transparente e fácil de entender. Isso significa, em suma, que as pessoas podem comprar pele natural sustentável com segurança», assegura o CEO.

Rótulos sem validade

No início do verão também a Áustria e a Holanda lideraram uma coligação de nações da União Europeia para solicitar à Comissão Europeia que implementasse medidas para acabar com a criação de peles na Europa. Por sua vez, Ann Arbor tornou-se o sétimo município dos EUA – e o terceiro fora da Califórnia, depois de Wellesley e Weston, em Massachusetts – a proibir a venda de peles. E, recentemente, mais de 100 deputados britânicos escreveram ao secretário do meio ambiente George Eustace para incitar o governo a proibir a importação e venda de peles no Reino Unido, utilizando a prevenção de futuras pandemias como uma das razões.

«O Furmark é uma jogada de marketing barata criada pela indústria de peles numa última tentativa de levar o público a apoiar as suas práticas abjetas e cruéis. Felizmente, ninguém acredita. Os compradores sensíveis sabem que toda a pele, independentemente de qualquer rótulo, é produto de uma indústria violenta e que a única garantia é que seres sencientes foram mortos para a obter», considera Elisa Allen, diretora do braço britânico do People for the Ethical Treatment of Animals.