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Indústria do vestuário aponta desafios à UE

A visita de conselheiros económicos de todas as Representações Permanentes dos 27 estados-membros da União Europeia à Calvelex, que aconteceu no passado dia 9 de junho, foi o cenário para apresentar algumas reivindicações da indústria de vestuário portuguesa, desde a revisão do SPG às limitações no comércio eletrónico.

[©Calvelex]

César Araújo, administrador da Calvelex, que é também presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário, Confecção e Moda, aproveitou a presença destes representantes da União Europeia para fazer um ponto de situação do sector e abordar os desafios e perspetivas para o futuro.

Salientando que «a Europa é líder mundial na moda», dando emprego a 1,5 milhões de pessoas e representando um valor acrescentado bruto superior a 162 mil milhões de euros em 2019, e que a indústria têxtil e vestuário portuguesa tem um papel importante na atividade nacional, César Araújo afirmou que a «Europa deve tornar-se um exemplo de boas práticas em todo o mundo» no que diz respeito à economia circular e sustentabilidade, e que, juntamente com o aumento da quantidade de marcas com sede na Europa, isso deverá ser um motor para criar uma economia mais dinâmica.

O presidente da ANIVEC reforçou, contudo, que são precisas medidas políticas para apoiar a indústria têxtil e vestuário europeia, nomeadamente a revisão do sistema preferencial de acesso ao mercado (SPG), a definição de PME e as condições para o comércio eletrónico.

[©Calvelex]
No que se refere ao primeiro, César Araújo indicou que 35% do vestuário consumido em 2019 na Europa foi proveniente de um país com acesso preferencial ao mercado europeu, o que, juntamente com as importações de players como a China, Turquia e o Egito, deixa pouco espaço para os produtos made in Europe.

No que diz respeito ao conceito de PME, «a definição foi feita em 1996 e revista em 2003. Desde então, o mundo mudou, o mercado económico europeu mudou», referiu César Araújo, pelo que «empresas com mais de 250 pessoas e um volume de negócios abaixo de 50 milhões de euros não deveriam ser consideradas PMEs». O presidente da ANIVEC considera que devem ser tidos em conta os dois critérios (mais de 250 pessoas e mais de 50 milhões de euros de volume de negócios) para uma empresa ser classificada como grande empresa. «O trabalhador não pode ser um fator negativo», sublinhou.

César Araújo [©Calvelex]
Já no que diz respeito ao comércio eletrónico, César Araújo revelou, para surpresa de muitos dos presentes, que uma empresa portuguesa com vendas online superiores a 35 mil euros para mercados como Espanha, França ou Itália, é obrigada a contratar serviços de contabilidade organizada, ou semelhante, nesse país. «Estes valores são negativos para a atividade de exportação, sobretudo no caso de pequenas empresas de artigos de moda, que atingem o valor máximo permitido muito rápido», afirmou, apelando a uma mudança desse plafond para 350 mil euros, até porque, salientou, «a economia digital é o futuro».

A ida à Calvelex dos delegados do Grupo de Trabalho de Competitividade e Crescimento integrou-se numa visita realizada de 7 a 9 de junho, coordenada pela Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE), no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia. No seu website, a DGAE destaca ainda que «durante esta viagem, os nossos parceiros europeus tiveram a oportunidade de visitar centros de investigação que desenvolvem e exportam a nível global tecnologia com aplicações no sector industrial».

[©Calvelex]