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Indústria do vestuário aposta na tecnologia – Parte 1

Com a enorme gama de tecnologias actualmente disponível, é difícil acreditar que muitas empresas de têxteis e vestuário ainda usam o e-mail, o fax e a folha de cálculo – a par de outros procedimentos manuais – para efectuar as suas funções de gestão mais importantes.

Segundo um estudo realizado pelo Aberdeen Group em 2004, e recentemente divulgado pelo site Just-style.com, mais de metade (58%) dos sistemas e soluções usados nas acções de compra neste sector de actividade são ainda manuais, através do fax ou do e-mail, e na maior parte desses processos, o comprador necessita, em média, de “aceder até 8 destes sistemas e manter entre 10 e 12 folhas de cálculo” para poder ter um simples e resumido sumário do seu processo de compra.

O referido estudo concluiu ainda que as principais prioridades para a indústria do vestuário são, de um modo geral, a adopção e implementação de sistemas para as seguintes áreas chave: gestão da cadeia de produção; desenvolvimento de produto em parceria; e selecção estratégica de fornecedores e processos de compra.

A maioria das pessoas inquiridas neste estudo afirmou ter consciência da importância da cooperação entre os agentes da indústria do vestuário, mas ao mesmo tempo admitiu não ter ideia de como pô-la em prática.

Esta resposta demonstra a clara necessidade de soluções de gestão de compras de base tecnológica, ao mesmo tempo que confirma ser uma das áreas críticas no futuro próximo, para as empresas deste sector.

Por outro lado, o Aberdeen Group revelou também que “as oportunidades associadas à adopção de um método de compras estrategicamente planeado praticamente não foram referidas”.

Segundo Sue Welch, CEO da TradeStone Software, empresa fornecedora do software de gestão de compras TradesStone Suite, que conta com clientes como a American Eagle, The Children’s Place e Woolworth AG, “embora a maior parte, para não dizer todas, das empresas de vestuário, possuam algo semelhante a um sistema de gestão de compras e encomendas, não é aquilo que podemos considerar uma verdadeira solução de e-sourcing, que ofereça um modelo único de gerir e acompanhar as suas compras de forma integrada”.

Empresas como a Ariba definem esta solução como “gestão de despesas”, encarando as compras a fornecedores externos como um dos aspectos da cadeia completa de processos, que inclui igualmente a gestão das relações com os fornecedores, a gestão de contratos e encomendas, a supervisão de toda a comunicação (através de avisos, pontos de situação e monitorização), etc.

Os clientes da Ariba, entre os quais a Saks, Target e The Limited, usam os seus produtos para diversos fins, desde a cooperação quanto às especificações dos produtos, aos pedidos de propostas de compra e avaliações de preços, passando pelo acompanhamento e monitorização do design do produto final.

Paula Rosenblum, directora de pesquisa no Aberdeen Group, considera que “existe um limite aos montantes que podem ser poupados na relação entre fornecedor e comprador, pois chegamos a um ponto onde já não podemos ir mais longe, e nesse caso avançar para a cooperação assente em parcerias pode revelar-se muito positivo para os dois lados”.

“Alguns dos exemplos mais óbvios estão, por exemplo, na compra de tecidos em nome dos compradores e no design conjunto de produtos, que reduzem os custos para as duas partes envolvidas, através das reservas antecipadas das linhas de produção, em vez do adiamento até ao máximo desse mesmo design final, e no fundo considerar toda a cadeia consumidor-retalhista-fabricante como um verdadeiro ecossistema”, conclui esta analista.

As compras feitas por meios tecnologicamente avançados – o chamado e-sourcing – podem ajudar também na redução dos tempos de espera pelos novos produtos e assim antecipar de forma decisiva as colecções de moda.

“Para os retalhistas de vestuário, reduzir estes tempos de entrega permite-lhes ‘apanhar a onda da moda’ antes dos restantes retalhistas, resultando em maiores vendas e quotas de mercado”, afirma Hung LeHong, analista na Gartner/G2.

Segundo uma análise da Kurt Salmon Associates, o e-sourcing pode assim trazer à indústria de vestuário uma poupança total na ordem dos 34 mil milhões de dólares.

Como?

Através da integração dos processos de compra com recurso a este tipo de soluções, como as da TradeStone, Ariba, BearingPoint, Oracle, New Generation Computing, SAP e outras, as empresas do sector poderão tomar melhores decisões de gestão que lhes permitam responder mais rápida e eficazmente às solicitações dos seus clientes, minimizando assim as margens de erro e atacando antecipadamente os potenciais problemas.

Como resultado, teremos os artigos mais rapidamente nos mercados mundiais, com menores percalços para o retalho e obviamente poupanças imediatas e a longo prazo nos seus custos e consequente aumento dos lucros.