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Indústria solidária

As associações sectoriais Anivec e Apiccaps juntaram-se numa ação solidária para o IPO-Porto, com as receitas do concerto TwoPianists – Nina Schumann & Luís Magalhães a reverterem para a instituição.

Uma iniciativa a que se juntaram centenas de pessoas, incluindo muitos empresários da indústria têxtil e vestuário.

Ainda imbuídas do espírito natalício, centenas de pessoas estiveram no dia 26 de dezembro na Casa da Música, no Porto, para assistirem ao concerto do duo de pianistas Nina Schumann e Luís Magalhães, numa iniciativa solidária organizada pela Anivec e pela Apiccaps, com o apoio da Casa da Música e o mecenato da Liberty Seguros.

«Um sector de grande responsabilidade como o sector da indústria do vestuário não pode estar fora das questões solidárias. E, para isso, é importante envolver não só o sector mas também a sociedade no seu todo», defende César Araújo, presidente da direção da Anivec. Uma perspetiva partilhada por Manuel Carlos, diretor-geral da Apiccaps, que sublinha o trabalho do IPO-Porto, «uma instituição muito importante para o país e para o Porto em particular».

Reputados internacionalmente, Nina Schumann e Luís Magalhães associaram-se de imediato à iniciativa, como explicou o pianista no início do concerto. «Quando nos falaram neste concerto, para tocarmos nesta iniciativa, dissemos logo que sim, porque é um problema muito próximo de nós como casal. A Nina foi diagnosticada com cancro da mama há quatro anos», explicou Luís Magalhães, sublinhando a luta e a força de viver da esposa. «A única parte positiva do cancro, se é que o cancro tem alguma coisa de positivo, é pensar na vida não como um bem adquirido mas como uma coisa que temos que aproveitar todos os dias, todos os minutos… Se fosse comigo não estaria a tocar aqui hoje. Ela está ali toda contente», destacou. Luís Magalhães fez ainda questão de «prestar homenagem a toda a comunidade médica do IPO, que trata de pessoas como a minha mulher todos os dias, até no Natal e no Ano Novo, e é por isso que cá estamos».

Uma causa próxima igualmente de diversas figuras públicas e empresários do sector, que se quiseram juntar à iniciativa. «Estou entre amigos, estou dentro de uma casa e com duas associações que apoiaram uma causa que eu acho muito nobre, que é o apoio ao IPO», afirmou José Alexandre Oliveira, presidente do grupo Riopele, que acredita que este tipo de iniciativa é importante para que «possamos, no futuro, contribuir com mais alguma coisa além do nosso trabalho e vermos também que há situações que são difíceis e que nós podemos, com pouco, fazer alguma coisa ou mesmo muito», acrescentou.

Ana Sousa, a fundadora da marca epónima, fez igualmente questão de marcar presença. «Tem de haver muitas mais iniciativas como esta», sublinhou. A designer, que há cerca de três anos promoveu uma iniciativa semelhante para a Liga Contra o Cancro, onde através do lançamento de uma t-shirt angariou 30 mil euros para a causa, apelou ao envolvimento mais profundo de toda a comunidade. «Bem hajam todas as pessoas que possam contribuir e ajudar estas pessoas que tanto precisam do nosso carinho e do nosso apoio», acrescentou.

Um apoio importante, segundo o presidente do conselho de administração do IPO-Porto, Laranja Pontes. «A importância de um evento destes para o IPO é enorme, porque uma das vertentes da nossa atividade é procurar relacionar-nos com a comunidade. E isto é uma daquelas ligações fortes de ganhar-ganhar entre uma instituição pública de assistência hospitalar como nós e uma organização profissional como é esta. Para nós é muito importante porque é uma das maneiras de obter receitas para a investigação, que normalmente é o parente pobre desta área do cancro», explicou. «O IPO do Porto é a maior instituição de prestação de cuidados de oncologia a nível nacional e acho que a Anivec e a Apiccaps são sobejamente conhecidas como os maiores clusters industriais, de maneira que estamos aqui todos na mesma divisão», sublinhou.

O concerto na Sala Suggia, completamente preenchida, percorreu alguns dos mais conhecidos compositores norte-americanos, num reportório que começou com Samuel Barber e percorreu a obra Winnsboro Cotton Mill Blues, de Frederic Rzewski, que invoca a luta dos operários de uma fábrica de descaroçar algodão e de pneus nos anos 30 por melhores condições de trabalho. Seguiu-se Aaron Copland e Recuerdos de William Bolcom, com o concerto a terminar com a «eletrificante» Hallelujah Junction de John Adams.

«É uma lição de vida saber que uma pessoa que teve o diagnóstico que teve de cancro da mama há quatro anos, lutou, reapareceu em grande forma, luta no dia a dia e ainda tem o espírito de solidariedade para vir dar um concerto a favor desta feliz iniciativa», resumiu Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do F.C. Porto.