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Indústria têxtil é a mais produtiva da “fileira da moda”

A indústria têxtil é a mais produtiva da chamada «fileira da moda», que engloba ainda vestuário e calçado. A conclusão está vertida num estudo elaborado pela Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal (Fesete), apresentado a 21 de Dezembro no Porto, conforme foi divulgado pelo Público. De acordo com este trabalho, que analisou os dados de produtividade entre os anos de 1996 e 2003, o têxtil foi o sector que mais se aproximou da referência da indústria transformadora. No último ano de análise, o têxtil andou próximo dos 15 mil milhões de euros, face aos cerca de 21 mil milhões da indústria transformadora. Na base desta aproximação está o facto de, concluiu o grupo de trabalho orientado por Joana Afonso, o têxtil agregar subsectores de capital mais intensivo. Ou seja, a incorporação de custos no produto final está mais relacionada com a aquisição de maquinaria, investigação e desenvolvimento do que propriamente com a mão-de-obra. No caso do sector do vestuário, o mesmo estudo verificou que as remunerações mínimas (375 euros) não andam muito longe do salário mínimo nacional (365,60 euros), ao passo que, no do calçado, o valor das remunerações é coincidente. Para Manuel Freitas, coordenador da Fesete, este estudo será um importante documento de apoio às negociações salariais, uma vez que analisa com profundidade os factores condicionantes da produtividade. Freitas aponta este estudo como «um documento de esperança, uma espécie de manual de boas práticas, e espera-se que tenha um efeito multiplicador». Isto porque foram enfatizados os vectores da aposta na qualidade dos produtos e na inovação dos processos produtivos como o melhor caminho para que as empresas nacionais se imponham no mercado mundial. O estudo coloca reticências quanto à forma como os agentes dos sectores vão enfrentar o futuro. Os autores chamam a atenção para a necessidade de haver «empenho e cedências de todas as partes, até ao limite do razoável». Para isso, deve haver cooperação inter-empresarial e melhor qualificação dos trabalhadores, muitos dos quais vivem situações contratuais precárias.