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Indústria têxtil em perigo

A indústria têxtil do Paquistão está em risco face às perspetivas que se avizinham, com o eventual encerramento massivo de fábricas de tecidos, a menos que o governo do país tome sérias medidas de prevenção para evitar tal ameaça para o sector. 

Tunisian employees work at an underwear factory in Sfax, 260 km (162 miles) south of Tunis, March 22, 2012. A string of countries on and around the fringes of western Europe are becoming new centres of fashion clothing manufacture as China moves up the industrial value chain and brands discover adaptable suppliers closer to home. Picture taken March 22. To match story CHINA/FASHION REUTERS/Zoubeir Souissi (TUNISIA - Tags: BUSINESS TEXTILE) - RTR2ZRGA

Apesar dos benefícios decorrentes do estatuto de preferências comerciais GSP+, relativo às exportações para a União Europeia, a indústria têxtil do Paquistão debate-se com dificuldades concorrenciais, nomeadamente face à Índia.

Numa conferência de imprensa em Lahore, SM Tanveer, presidente da Associação de Todas as Fábricas Têxteis do Paquistão, alertou para uma potencial queda de 15% das exportações de têxteis no próximo ano, em caso de não assistência governamental. «Cerca de um terço da capacidade já encerrou e perderam-se cerca de um milhão de postos de trabalho, a indústria têxtil luta para permanecer à tona», revelou.

Shabir Ahmed, presidente da Associação de Exportadores de Têxteis-Lar do Paquistão advertiu que «os encerramentos mencionados não são uma ameaça, mas uma consequência inevitável se o governo adiar a aplicação de medidas corretivas».

Um alto funcionário do ministério da indústria têxtil do Paquistão anunciou que diversas unidades de produção de tecidos já encerraram, incluindo fábricas em Faisalabad, Karachi e Lahore.

O auxílio governamental antecipado pelas fábricas têxteis para o mês de junho não se concretizou. «Consideramos a atitude indiferente do atual partido no poder perturbadora e a tendência para excluir os empresários das tomadas de decisões económicas suicida», argumentou Shabir.

Tanveer criticou, também, o governo, afirmando que este «está a perder a credibilidade rapidamente». Ele identificou a Índia, Bangladesh, China e Vietname como os principais concorrentes nacionais.

Ijaz Khokhar, presidente da Associação de Fabricantes e Exportadores de Vestuário Pronto-a-Vestir do Paquistão, afirmou que as empresas têxteis do país estão aquém dos seus concorrentes indianos, apesar de beneficiar de vantagens tecnológicas comparativas e forte acesso ao mercado da União Europeia.

Em particular, o sector têxtil do Paquistão tem sido afetado pela ineficácia dos fornecedores de energia, cortes e preços elevados da energia elétrica – com a crise energética em curso a ser responsável pelas quebras prolongadas e aumento dos custos de produção.

O governo paquistanês começou a implementar cortes de eletricidade em 2008, resultando no encerramento de um significativo número de fábricas ou diminuição da sua capacidade.

Os têxteis e o vestuário representam mais de 50% das exportações de mercadorias do Paquistão e, sob a sua atual política têxtil (2014-19), o governo «tem o objetivo de promover atividades de elevado valor acrescentado e melhorar a produtividade do subsector». Entre os seus objetivos figuram a duplicação das exportações têxteis e de vestuário do país para 26 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos, contemplando a despesa de 650 milhões de dólares em subsídios e desenvolvimento de infraestruturas, que permitirão atrair um investimento de 5 mil milhões de dólares para o sector.

O esquema GSP+ proporciona aos exportadores do Paquistão o acesso livre à União Europeia durante um período de 10 anos. No entanto, será revisto a cada dois anos, uma vez que a sua continuidade dependerá da implementação, por parte do país, das 27 convenções internacionais fundamentais relativas aos direitos humanos, direitos laborais, desenvolvimento sustentável e boa governação.

Em acréscimo, o regime será revisto decorridos três anos, ao fim dos quais o Paquistão poderá perder o estatuto GSP+, se as importações da União Europeia provenientes do país, abrangidas pelo estatuto, excederem 2% das importações europeias de todos os beneficiários do esquema de isenção.

O estatuto poderá conferir à indústria têxtil e do vestuário do Paquistão uma vantagem tarifária de entre 10% a 14%. No entanto, as advertências da indústria têxtil parecem contrastar com os resultados divulgados, que revelam que as importações de têxteis da União Europeia provenientes do Paquistão aumentaram, em valor, 18,1% em 2014, posicionando o Paquistão como o fornecedor têxtil de mais rápido crescimento entre os principais países fornecedores da União Europeia no ano anterior.

No segmento do vestuário, as importações da União Europeia provenientes do Paquistão aumentaram 30,5%, colocando, uma vez mais, o Paquistão em primeiro lugar entre os fornecedores de vestuário de mais rápido crescimento da União Europeia.

Dito isto, os exportadores paquistaneses estão concentrados nos países da União Europeia, em detrimento do mercado americano. As importações de têxteis dos EUA, provenientes do Paquistão, aumentaram apenas 1,4% em 2014, enquanto as importações de vestuário caíram 1,1%.