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Indústria têxtil francesa termina 2003 em velocidade lenta – Parte 1

A indústria têxtil e do vestuário francesa encerrou o ano de 2003 em tons grisalhos, a condizer com a estação outonal.
Segundo um artigo publicado no semanário francês Journal du Textile, o cenário no qual actuam os diversos agentes da ITV francesa adoptou, no Outono passado, uma tonalidade bastante uniforme, marcada por tons cinzentos.
Ainda assim, os analistas distinguiram ligeiras diferenças entre o ramo industrial da indústria têxtil e do vestuário e a respectiva distribuição retalhista, sendo esta última caracterizada por resultados semelhantes aos dos últimos anos.
Já em relação à fileira produtiva dos têxteis e vestuário em França, a situação é bem mais preocupante, uma vez que esta vem enfrentando, desde há longos meses, uma forte pressão internacional, acentuada pela baixa do dólar norte-americano.
Por outro lado, a economia mundial tem enviado sinais algo contraditórios, pois se por um lado a conjuntura nos Estados Unidos tem vindo a recuperar – facto cujas consequências não são ainda claras para as economias do velho continente – por outro podemos antever um raio de esperança no cenário económico da Alemanha, a maior economia europeia.
Este último facto constitui uma excelente notícia para a economia francesa, e em especial para a sua fileira têxtil, uma vez que os alemães são os principais parceiros comerciais da ITV gaulesa, e o eixo Paris-Berlim assume um papel preponderante no cenário económico da Europa.
O abrandamento do consumo em França, que vinha há muito funcionando como o verdadeiro motor da economia deste país, não tem deixado de afectar o sector dos têxteis e vestuário. Como exemplo, as compras de vestuário e têxteis efectuadas pelos franceses, em Setembro do ano passado, decresceram 2,4% em relação ao período homólogo em 2002, segundo dados do IMF-CTCOE, o Centro Têxtil de Conjuntura e Observação Económica do Instituto Francês da Moda, revelados no final de Dezembro. Entre as causas para esta contracção no consumo conta-se, a par de outras, a subida vertiginosa do desemprego, que tem aumentado sempre desde 1996, atingindo os 9,7% no passado mês de Setembro.
Já em Outubro a situação no referido sector parece ter registado ligeiras melhorias, tendo as compras efectuadas nos grandes armazéns e cadeias retalhistas crescido 10% em valor, em relação ao mesmo mês de 2002, de acordo com Gildas Minvielle, responsável pelo IMF-CTCOE, facto que deverá contribuir para um pequeno aumento, na ordem dos 0,3%, no valor total das compras efectuadas pelos franceses em 2003.
Pelo contrário, certos analistas económicos não se revelam tão confiantes, acreditando mesmo num acentuar da retracção do consumo em França, no que toca aos artigos de têxteis e vestuário.
Para sustentar esta opinião, os analistas mais pessimistas baseiam-se em dados como o índice de confiança dos consumidores, que atingiu os 29 pontos negativos em França, em Outubro passado, acentuando assim a tendência registada desde Maio, mês em que o mesmo índice ficou em 27 pontos negativos. No que toca às exportações francesas de têxteis e vestuário, a situação não se afigura mais animadora.
Assim, além do volume total de negócios deste sector ter caído 2,6% entre Janeiro e Setembro de 2003, em comparação com o período homólogo no ano anterior, as vendas para o Japão e Estados Unidos baixaram 7% e 19%, respectivamente, entre Janeiro e Agosto do último ano.
Ao mesmo tempo, a produção de artigos de vestuário em França diminuíu 20% em quantidade, nos primeiros nove meses de 2003.
Enquanto isso, a China reforçou a sua posição como maior fornecedor da França, em termos de vestuário em tecido, situação que acompanha a gradual conquista de mercados como o Japão, Alemanha e Estados Unidos por parte dos fabricantes daquele gigante asiático.