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Inflação domina cadeia – Parte 1

A inflação estÁ de volta e, para os retalhistas que estão a sentir a desaceleração das vendas, não poderia ter escolhido pior altura para aparecer. A subida dos custos estÁ a afectar praticamente todos os fornecedores de vestuÁrio e os compradores terão de começar a ajustar as suas estratégias. HÁ momentos em que a indústria têxtil e de vestuÁrio (ITV) parece encontrar-se em dois universos paralelos. Num universo, a vida decorre à semelhança dos últimos quinze anos. As importações de vestuÁrio dos países ricos estão em crescimento e os proteccionistas estão cada vez mais preocupados com a aceleração deste crescimento. Alguns estão a tentar evitar que os EUA eliminem, no final deste ano, as quotas aplicadas sobre determinadas importações provenientes da China, outros estão a tentar influenciar a UE para impor taxas de importação acrescidas sobre o vestuÁrio cujas quotas foram recentemente liberalizadas, e que estão supostamente a inundar o mercado europeu. Entretanto, um grupo de países mais pobres (principalmente o Camboja e o Bangladesh) estÁ a pressionar os EUA para reduzir as taxas de importação, enquanto outros (incluindo países como a África do Sul) estão a tentar exercer a sua influência para manter essas taxas elevadas. Enquanto isso, grupos activistas como a Oxfam estão a atacar a recente decisão da UE de facilitar às ilhas Maurícias o acesso ao mercado europeu sem taxas. Mas serão estes os últimos resquícios do que em breve vamos considerar como uma “era dourada” que durou quinze anos? Num segundo universo, enquanto que os activistas criticam o acesso isento de taxas e os proteccionistas prevêem que o céu vai desabar caso não se proíbam as importações chinesas, uma grande parte dos compradores sente que estÁ a ser atingido todas as manhãs por um mundo em constante mudança. E esta sensação surge após quinze anos relativamente previsíveis para os compradores. O período de 1990 a 2007 era previsível? Efectivamente, não foi sentido dessa forma na altura, mas para todas as mudanças que ocorreram, houve um padrão consistente na reacção da ITV. Ao longo deste período o vestuÁrio ficou cada vez mais barato. Ficou mais barato porque os clientes ocidentais deslocaram a produção de vestuÁrio para países onde a indústria de vestuÁrio foi a grande referência do crescimento económico. Com o desemprego ou o sub-emprego galopante em todos os países pobres, não houve falta de pessoas dispostas a trabalhar para o que pareciam ser salÁrios surpreendentemente baixos para os ocidentais, mas que eram muito superiores aos que poderiam ambicionar nas suas aldeias. Se os preços aparentavam uma tendência crescente, os proprietÁrios das fÁbricas tinham de espremer os custos, na medida em que os compradores ocidentais exigiam constantes reduções de preços. Os trabalhadores chegavam frequentemente à conclusão de que os custos efectivamente espremidos eram os seus salÁrios. Ao longo dos últimos dez anos, a China foi o centro de tudo isto. Embora os salÁrios chineses tenham vindo a subir desde 2000, o engenho das empresas chinesas na redução dos custos conseguiu manter em baixo o preço dos produtos chineses no mercado mundial. E a China, não é um caso isolado. Actualmente, o regresso da inflação à China tem sido amplamente divulgado. O just-style citou recentemente um fabricante chinês que previa um aumento de 40% nos preços chineses, uma especulação provavelmente errada. Mas, este problema estÁ a afectar praticamente todos os fornecedores de vestuÁrio do mercado emergente, o que representa praticamente todos os fornecedores de vestuÁrio. Os consumidores dos mercados emergentes estão a pagar mais pelos bens essenciais. As rÁpidas subidas mundiais nos preços dos bens energéticos e alimentares afectou mais os países de baixo rendimento (como o Camboja) do que os países ocidentais ou mesmo os países com rendimentos médios (como o México). Estas subidas também atingiram menos os países com uma moeda em alta (como a índia ou a Tailândia) do que os países cuja moeda tem permanecido constante (como o Bangladesh). Mas a inflação em Janeiro de 2008 em quase todos os 20 maiores países exportadores de vestuÁrio foi, pelo menos, o dobro da média registada nos países ricos, com o custo de vida na China a aumentar 7,2% em 2007. No Vietname, o aumento no custo de vida passou dos 6% em Janeiro de 2007 para os 15,7% em Fevereiro de 2008 Outras influências inflacionistas sobre os salÁrios têm incluído as novas leis laborais na China e a adesão da Roménia e da BulgÁria à UE. A escassez de mão-de-obra qualificada onde as roupas são feitas na China reflecte-se em torno de Saigão, Banguecoque e Jacarta e a deslocação das fÁbricas para outros pontos do globo raramente tem resultado. Na Europa Oriental, as empresas estão agora a importar trabalhadores de países vizinhos pobres (como a MoldÁvia), bem como da China e do Vietname. Mesmo nas Maurícias, com o declínio da indústria de vestuÁrio, existem agora menos pessoas que querem trabalhar no sector, devido à reputação que as empresas de vestuÁrio têm em oferecer um futuro limitado e de despedirem trabalhadores. Portanto, as fÁbricas têm de importar trabalhadores, nomeadamente do Bangladesh.