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Inflação domina cadeia – Parte 2

A inflação estÁ a afectar e a transformar a cadeia internacional de fornecimento de vestuÁrio (ver Inflação domina cadeia – Parte 1), e o aumento nos preços do consumidor estÁ a transforma-se em salÁrios mais elevados. Em alguns países com uma inflação elevada (sobretudo Vietname e China), a mobilidade dos trabalhadores durante o Ano Novo lunar (início de Fevereiro) representa tradicionalmente um absentismo generalizado quando as fÁbricas reabrem, e são necessÁrios salÁrios mais elevados para recrutar trabalhadores substitutos. A população chinesa entre os 15 e os 19 anos vai diminuir anualmente até 2020 e não faltam outros sectores industriais em crescimento. Na maioria dos países exportadores de vestuÁrio, a economia estÁ a crescer mais rapidamente do que a produção de vestuÁrio, pois os empregos jÁ não são tão escassos. No entanto, em alguns países (como o Bangladesh ou o Egipto) os salÁrios têm estado desfasados dos preços no consumidor ao longo da última década. Se este desfasamento se mantiver, os compradores terão inevitÁveis dificuldades em lidar com os consequentes escândalos dos salÁrios baixos. Estes escândalos não afectam apenas os países com salÁrios baixos, ao longo de 2007 assistiram-se a repetidas situações (na Jordânia, MalÁsia e Ilhas Maurícias) de trabalhadores imigrantes a ganhar substancialmente menos do que a norma local. Todos estes escândalos tiveram repercussões efectivas na reputação dos retalhistas ocidentais, cujas fÁbricas empregam estes trabalhadores. As políticas anti-inflacionistas do governo vietnamita têm empurrado as taxas de juro dos empréstimos comerciais até aos 15%. Os países com moedas em alta que utilizam tecidos locais (como o Brasil, Turquia, índia e Tailândia) assistiram a uma subida nos custos das matérias-primas. Mas as substanciais importações chinesas de matérias-primas tornaram-se relativamente mais baratas como a apreciação da moeda nestes países. A maior preferência dos fabricantes é para as vendas locais, pois são mais rentÁveis do que os compradores estrangeiros, que querem preços mais baixos. Com as vendas internas de vestuÁrio a subirem 29% em 2006, poucos fabricantes chineses precisam de vender a preços baixos para manter os compradores felizes em Barcelona ou Bentonville. As vendas para os EUA representam agora apenas 8% da produção de vestuÁrio da China. O mercado doméstico da índia estÁ também a crescer quase tão rapidamente. Na actual indústria de vestuÁrio de Hong Kong, o tópico de conversa do momento é a deslocação da produção para fora da China e os responsÁveis industriais prevêem cada vez mais encerramentos diÁrios. Na índia, a moda actual é o desenvolvimento de parques têxteis, provavelmente como uma simples especulação imobiliÁria, mas estas infra-estruturas oferecem uma substancial expansão na limitada capacidade indiana de produção de vestuÁrio. Entre os principais fabricantes da Turquia, a moda estÁ em abandonar totalmente os têxteis turcos, mas investindo fortemente em novas instalações de vestuÁrio e têxteis no Egipto. Na Indonésia, após o desencorajamento oficial do investimento nos têxteis, um grupo de grandes empresas têxteis indonésias anunciou, no início de 2008, grandes expansões no fabrico local do vestuÁrio, uma linha de negócio que anteriormente tinha evitado. Entretanto, mais taiwaneses e coreanos estão a instalar unidades produtivas de fibras e tecidos no Vietname e no Bangladesh, ambos até agora retraídos por terem de importar tecidos. O crescimento nos custos não implica o crescimento dos preços no fabrico chinês em geral, pois a melhoraria da produtividade ao longo da última década levou a constantes quedas nos custos de fabrico. Então, o que significa tudo isto para compradores e vendedores? é tentador concluir que China não é um lugar óptimo para se estar neste momento, especialmente com o início do abrandamento das vendas a retalho nos países ocidentais. Mas talvez a realidade não seja bem esta. Foi ingénuo, em 2005, concluir que a China era o único lugar para produzir e igualmente insensato pensar que o fim da China como principal centro de produção foi agora atingido. Os preços das matérias-primas estão a subir em todo o mundo, e a valorização da moeda chinesa significa que estão a afectar menos a China do que diversos outros países. Os industriais chineses possuem uma longa história de gestão dos seus negócios de forma muito mais eficiente do que as previsões externas, sendo ainda necessÁrio ponderar o impacto do formidÁvel programa de construção de indústrias no exterior da linha Xangai-Guangdong. A inflação estÁ de volta. Para os compradores com as vendas em desaceleração, não poderia ter escolhido uma altura pior. Mas esta situação não é exclusiva da China, não estÁ restringida apenas à flutuação da moeda chinesa ou às suas novas leis laborais, não vai ser travada com o abrandamento da procura Ocidental e também não vai desaparecer rapidamente.