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Inovação desde a fibra

As empresas produtoras de fibras e fios mostraram na última edição da Techtextil que a inovação começa bem a montante da cadeia, com novidades e projetos de desenvolvimento que respondem à procura do mercado, integrando, nomeadamente, conceitos como sustentabilidade e funcionalidade.

António Alexandre Falcão (Fitexar)

Na feira de têxteis técnicos e não-tecidos de Frankfurt, a Tearfil apresentou-se com as licenças exclusivas para a produção de fibras técnicas. «Queremos capitalizar essa vantagem competitiva que temos, conquistando e angariando novos nichos de mercado», revelou Marla Gonçalves, diretora-geral da fiação do grupo Moretextile.

A grande novidade passou pela Sorona, da DuPont, classificada como uma fibra sintética elastomultiester, «mas que tem uma alma verde, porque 37% da composição da fibra é um biopolímero de uma fonte renovável e não fóssil», explicou. «A principal característica desta fibra é que tem memória de forma, ou seja, depois de tensionada volta à sua forma inicial», acrescentou.

Agostinho Martins e Marla Gonçalves (Tearfil)

O outro destaque foi a CottonX, «uma fibra inteligente em algodão», indicou a diretora-geral. Com recurso a tecnologia própria, a israelita Argaman conseguiu encontrar uma forma de embeber as fibras de algodão com vários compostos, permitindo que as mesmas se tornem em fibras inteligentes sem perder os atributos naturais do algodão.

A Tearfil mostrou ainda as possibilidades da fibra Outlast e a tecnologia Color Zen, que permite poupanças significativas de água, energia e químicos no tingimento de fibras de algodão.

Roupa interior, athleisure e têxteis-lar são algumas das aplicações para estas fibras. «O termo tecno-moda está a ganhar mais importância. As pessoas não querem comprar só um equipamento bonito de jogging para fazer a sua corrida matinal, mas querem também que ele lhe confira desempenho, que permita uma gestão de humidade eficiente, termorregulação – outro tipo de desempenho que não seja vestir um fato bonito para correr», garantiu Marla Gonçalves.

Conjugando as suas duas áreas de atividade, a SGL, ex-Fisipe, repartiu a presença na Techtextil entre as fibras de acrílico e as fibras de carbono. Nas primeiras estiveram m foco «as fibras para aplicação de imitação de pelo de animal e as fibras com resistência ultravioleta», apontou o diretor comercial Tiago Gonçalves. Já na fibra de carbono, as soluções propostas abrangeram as indústrias automóvel, aeroespacial e energética. Em curso, a empresa tem o desenvolvimento de fibras de acrílico retardantes de chama passíveis de ser tingidas de diferentes cores – para já só existem na cor preto.

Tiago Gonçalves (SGL Carbon)

Na Fitexar, foram as matérias-primas usadas nos fios a grande inovação apresentada pela empresa do grupo Têxtil António Falcão. Na terceira presença em Frankfurt, os fios reciclados estiveram em destaque, com a marca Ecofibers. «Já temos fio reciclado há cerca de três anos, não é propriamente uma novidade. Mas, neste último ano, tem havido um boom nesta área, uma procura tão grande, que se justificou criar uma marca certificada. Por isso, decidimos trazer a nossa marca para divulgar mais e dar mais força a esta área», explicou, ao Jornal Têxtil, António Alexandre Falcão, vice-presidente do grupo Têxtil António Falcão. Com qualidade semelhante aos fios produzidos com matérias-primas virgens, os fios reciclados da empresa são «uma forma de fugir um bocado ao petróleo, porque polui muito», justificou.

Os novos fios da Ecofibers têm sido bem recebidos no mercado, com procura em áreas tão diferentes como a moda e o vestuário de trabalho, passando pelo desporto. «Tem havido muita procura para tudo o que é sapatilhas feitas em tecido», afiançou António Alexandre Falcão.

Quanto aos mercados, a Europa do Norte lidera, mas já não está sozinha. «Os países nórdicos dão muito valor à sustentabilidade, Inglaterra também. Mas hoje até os asiáticos vieram à feira perguntar por fios reciclados», adiantou o vice-presidente da Têxtil António Falcão.

Na calha estão novos desenvolvimentos. «Os reciclados têm-nos aberto algumas portas novas e temos alguns projetos em andamento», confessou. Embora com pouco ainda a poder ser revelado, António Alexandre Falcão desvendou que «vamos comprar novas máquinas para fazer um produto novo, que não existe no mercado sequer, pelo menos a nível europeu. É uma forma também de consumirmos o nosso fio», avançou.

Nuno Oliveira (Cordex)

Focada na área “pro”, a Cordex exibiu em Frankfurt multifilamentos de polipropileno, usados nas áreas de segurança, passamanarias, filtros e tecidos, e monofilamentos de polipropileno e polietileno, desenvolvidos essencialmente para geotêxteis. «São tudo fios de alta tenacidade, dentro daquilo que são polímeros estamos a falar de topo de gama. Fundamentalmente estamos numa fase de consolidação», elucidou Nuno Oliveira, diretor comercial da especialista em cordoaria e redes.

As novidades concentraram-se mais na área agrícola, responsável pelo maior volume de vendas da empresa (75%), incluindo o fio estirável agrícola, cuja produção começou há dois anos. «Somos o único produtor mundial que tem, na área do enfardamento, os quatro produtos principais: fios de enfardar sintéticos, fios de enfardar de sisal, redes agrícolas e os stretch films, os tais fios estiráveis», sublinhou.

Em curso estão «novos projetos» e «ideias de projetos ainda em stand-bye – estabelecemos prioridades e atacamos alguns projetos de cada vez, para focarmos os nossos esforços e chegar a bons resultados», resumiu o diretor comercial da Cordex.