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Inovação é o segredo da Scoop

A marca pela qual é conhecida a empresa de confeção Scorecode está nomeada para os prémios iTechstyle, com a malha Lumiton. Com uma aposta forte na área da inovação dirigida ao desporto, a Scoop estreia-se agora com o primeiro grande projeto no segmento dos têxteis bidimensionais.

Daniel Mota Pinto

Reconhecida mundialmente pelo vestuário de desporto outdoor, a Scoop lançou, este ano, a malha Lumiton by Scoop, «a nossa primeira aventura» nos têxteis bidimensionais, revela Daniel Mota Pinto, diretor de estratégia e desenvolvimento de negócio da empresa, que se encontra agora nomeada para os prémios iTechstyle, que serão entregues durante a iTechStyle Summit, agendada para o final de abril de 2020. «É mais um reconhecimento da nossa aposta na inovação e nas parcerias, tanto com universidades nacionais como universidades internacionais», considera Daniel Mota Pinto.

O projeto envolveu uma parceria com a Universidade da Carolina do Norte, que «desenvolveu uma tecnologia onde conseguimos incorporar uma técnica de laser no fio. Quando a luz solar toca na malha, transforma automaticamente os raios ultravioletas em infravermelhos, ou seja, deixa de ser prejudicial e passa a ser benéfico para a saúde», explica ao Portugal Têxtil.

Deste modo, o vestuário inclui uma proteção 50+, além de auxiliar a regeneração muscular, a recuperação de lesões e o aumento da circulação sanguínea, ou seja, reúne «muitos benefícios para a saúde, principalmente para atletas de alta competição», enumera Daniel Mota Pinto.

Já em abril último, a empresa havia arrecadado um prémio iTechstyle, na categoria de produto, com o Musgo – um casaco pensado para minimizar os acidentes, graças à integração de fibras óticas que permitem aumentar a visibilidade do peão ou ciclista, por exemplo, e até sinalizar a mudança de direção. «A Scoop sempre foi muito direcionada para inovação no desporto e para a tecnologia», justifica o diretor de estratégia, procurando ir ao encontro das necessidades futuras dos seus clientes que «vão querer vestir coisas que lhes tragam mais funcionalidade, mais interatividade, mais conectividade».

Crescer com menos vendas

A Scorecode fatura cerca de 12 milhões de euros por ano, exportando 97% da sua produção, maioritariamente para «países onde haja neve, que é o nosso core business», esclarece o diretor de estratégia. EUA, Japão, Austrália, Coreia do Sul, França, Holanda e Reino Unido fazem atualmente parte da lista.  No próximo ano, a empresa pretende «solidificar as nossas posições nos EUA e no Japão», através de uma estratégia que passa por «reduzir a nossa faturação para poder aumentar os nossos resultados líquidos», revela Daniel Mota Pinto. «Não acreditamos que o futuro da têxtil seja o volume e peças baratas», por isso «optamos por deixar dois clientes de certa relevância para a empresa para podermos captar outros que nos deem maior valor agregado, que nos permitam produzir menos quantidades a um preço maior». O objetivo é «diferenciar e vender o produto na alta gama», esclarece.

Esta estratégia inclui também uma transformação ao nível interno da Scorecode. A empresa começou o ano com 150 trabalhadores e irá terminar com, aproximadamente, 70. A premissa é «reduzir a estrutura, aumentar os resultados», argumenta Daniel Mota Pinto, salientando que «nunca o faríamos se não tivéssemos garantido de antemão o emprego às quase 80 pessoas que vão sair até ao final do ano».

O diretor de estratégia e desenvolvimento de negócio acredita que «ser ético e responsável não é só na linha de produção. Tem de ser um esforço 360º». Deste modo, práticas sustentáveis que só agora começaram a despertar a preocupação do público, como «horários flexíveis, alimentação orgânica e biológica, flexibilidade no trabalho e igualdade de género» já fazem parte da identidade da Scorecode há quase 10 anos, garante. Além de várias certificações, a empresa assumiu um compromisso no âmbito do UN Global Compact que a obriga a publicar anualmente um relatório com as atividades realizadas em prol dos 10 princípios desta iniciativa das Nações Unidas. «Somos um livro aberto», afirma Daniel Mota Pinto, que anuncia a publicação do primeiro relatório antes «do final do ano».

O segredo é a alma do negócio

O ano de 2020 reserva muitas surpresas da parte da Scorecode, promete Daniel Mota Pinto que, sem querer adiantar pormenores, desvenda que, no próximo ano, a empresa prevê lançar dois projetos, em duas áreas diferentes, mas que convergem na inovação.

O primeiro «irá fazer frente a um projeto da Google», deixa escapar o diretor de estratégia, refletindo que «não deixa de ser um pensamento interessante que uma empresa portuguesa possa combater com a Google num projeto. Ainda que seja só um». O outro integra uma parceria de cariz social com a ONU.