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Inovação e produto: a chave do sucesso

A inovação e o desenvolvimento de novos produtos são dois dos factores mais importantes no sucesso de qualquer negócio, independentemente do sector de actividade. No caso da Indústria Têxtil, Vestuário e Calçado (ITVC), essa preponderância é ainda mais fulcral. Em geral, o processo de desenvolvimento de produto é visto, à luz do marketing tradicional, como uma sequência estável de passos e acções que, de forma convencional e linear, seguem o seu caminho desde a geração da ideia até à chegada ao mercado. Kotler, principal académico na área do marketing, sugere que o desenvolvimento de produto deverá passar pelas seguintes fases: geração da ideia, formalização e enquadramento da ideia, desenvolvimento de conceitos e prototipagem, definição da estratégia de marketing do produto, análise económica, desenvolvimento do produto final, teste do produto no mercado e, por fim, comercialização. Tal processo, moroso, prescritivo e excessivamente formalizado, simplesmente não encontra adequabilidade à natureza mutável e veloz do mundo da moda. Assim sendo, e para se manterem competitivas no mercado e responderem às expectativas dos clientes as empresas deste sector têm que adoptar uma versão muito mais simplificada e rápida do que a sugerida e seguida por empresas de outros sectores. Desta forma, o processo de desenvolvimento de produto deverá partir, na fileira moda, do pressuposto que a maioria dos artigos (ou colecções) não será criada do zero, mas partirá de um conjunto de ideias, tendências, técnicas e modelos que será reinventado e melhorado com o objectivo de criar a inovação necessária e responder às expectativas dos clientes (ou até mesmo ultrapassá-las). Tomando como exemplo a fase de geração da ideia defendida pela abordagem do marketing tradicional, esta deverá basear-se, no desenvolvimento de artigos de moda, muito mais num design anteriormente desenvolvido ou em arquivo e que seja adaptado às tendências e fitting do momento para o qual se está a desenvolver. Isto não quer dizer que, ocasionalmente, um novo tipo de artigo de moda surja no mercado e crie ou revolucione uma categoria. Exemplo disso é o biquíni, lançado em 1946. No entanto, e se analisarmos bem as colecções produzidas dentro das empresas ou presentes no mercado, é raro encontrar novos tipos de peças de vestuário, ou de componentes das mesmas, que sejam inteiramente novidade. Acabam por ser reinterpretações e adaptações das categorias já existentes. Por outro lado, e dados os receios das marcas de moda em apresentarem ao mercado artigos demasiados arrojados para as tendências do momento, correndo o risco de, ao chegar mais cedo, não encontrar a receptividade necessária nos clientes, muitos retalhistas vão testando os seus artigos antes de os lançarem em larga escala. Como claro exemplo desta postura, encontram-se os grandes retalhistas que, em localizações específicas, comercializam pequenas séries de novos produtos para, dessa forma, aferir a sua receptividade. Esta postura permite uma redução do risco de lançamento de novos produtos, pois um produto sem aceitação acumulará muitos stocks que terão que ser vendidos em liquidação e exige uma rápida capacidade de resposta e aprovisionamento para não se perderem vendas caso o produto seja bem aceite. A inovação e o desenvolvimento do produto como elemento central das empresas da fileira moda necessitam, assim, de processos simples, eficazes e colaborativos, que optimizem a fase de recolha de ideias e tendências, a sua reutilização e reinvenção, a rápida prototipagem e consequentes ajustes, cadeias logísticas eficientes e um fluxo de informação constante e fiável para se reagir rapidamente às reacções do mercado. Desde a sistematização, arquivo e pesquisa de ideias, de modelos, matérias-primas e acessórios até à recolha e tratamento on-line da informação de vendas, os sistemas integrados de gestão permitem acelerar o processo de desenvolvimento de produto e colecções, garantindo o rigor, a eficiência e a fiabilidade dos dados. Sendo na maioria dos casos a única solução para o fazer em tempo útil numa fileira volátil e cada vez mais rápida como é a da moda.