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Inovação lusa na linha da frente

Na Smart Creation, matérias-primas, revestimentos e acabamentos sustentáveis chamaram a atenção para as três empresas portuguesas presentes. Adalberto, RDD e Tintex mostraram, nesta área específica da Première Vision Paris, que a inovação portuguesa está na vanguarda mundial.

A criação responsável é o mote que preside à Smart Creation Area e que encaixa na perfeição a empresas portuguesas como a Adalberto, a RDD e a Tintex. A prova é que a organização da Première Vision Paris selecionou este trio para, juntamente com mais 55 expositores, mostrarem os mais recentes desenvolvimentos sustentáveis na última edição da feira, em fevereiro.

Matérias-primas recicladas e orgânicas com acabamentos funcionais foram os artigos que valeram à Adalberto a estreia na Smart Creation. A coleção incluiu acabamentos funcionais como o Bioactive (um antibacteriano biodegradável) e o CBD (um acabamento com microcápsulas à base de canabidiol, que confere propriedades anti-stress, anti-inflamatórias e relaxantes).

Susana Serrano (Adalberto)

«As pessoas estão muito interessadas nos nossos propósitos, que é a sustentabilidade, a inovação e a responsabilidade social. E este cantinho [na Smart Creation Area] permite-nos mostrar o quanto nós o queremos fazer com os nossos produtos e com artigos de valor acrescentado», afirmou, ao Portugal Têxtil, Susana Serrano, CEO da Adalberto.

Abrir horizontes

Já a RDD esteve pela segunda vez neste espaço, numa participação onde destacou os orgânicos mercerizados, o undyed cotton, os tingimentos naturais, os reciclados provenientes do projeto Valerius 360 e propostas resultantes da parceria com a Circular Systems, especialista em tecnologias circulares e regenerativas. «Estamos aqui a mostrar-nos e a dar-nos a conhecer mais», justificou Abílio Garrido, assistente comercial da RDD, que acredita que espaços como a Smart Creation fazem sentido.

Elsa Parente (RDD)

«É uma forma mais rápida de mostrar ao cliente o que podemos fazer», acredita, citando a visita de designers e startups. Contudo, ressalvou, «pretendemos atingir todo o público. O objetivo não é atingir um nicho pequeno de pessoas».

A Smart Creation, de resto, permite «lançarmos os projetos inovadores», sublinhou Elsa Parente, diretora-geral da RDD, que em 2019 duplicou a faturação, para um volume de negócios superior a 4 milhões de euros. «Este ano queremos consolidar os mercados que temos – Itália, Alemanha, Suécia e China –, sendo que Itália e China são os que vamos potenciar mais para conseguirmos os nossos objetivos», revelou, ao Portugal Têxtil, a diretora-geral, que antecipa um crescimento entre 15% e 20% para o corrente ano.

Dar e receber

Veterana na Smart Creation Area, a Tintex explorou duas áreas distintas com a presença nesta edição. Por um lado, o projeto Co.Lab, em parceria com a italiana C.L.A.S.S. e três confeções portuguesas – a Confetil, a Becri e a Pedrosa & Rodrigues –, que resultou «no conceito de guarda-roupa do futuro, em que as peças são desenvolvidas com diferentes temáticas, mas em que em cada uma delas conseguimos distinguir e apresentar todos os seus elementos e, assim, quase fazer uma rastreabilidade completa», explicou Pedro Magalhães, diretor de inovação da empresa.

Numa segunda área, a Tintex mostrou a linha de revestimentos, mas ilustrada numa coleção-cápsula concebida pela designer Rita Sá, com «três peças diferentes, que conjugam novos produtos e mostram muito as capacidades desta linha que estamos agora a apresentar de uma forma mais efetiva», acrescentou.

Pedro Magalhães (Tintex)

Projetos que, segundo o diretor de inovação, tiveram «muito boa aceitação. Temos projetos diferentes e queremos continuar a fazer coisas novas e a estar na linha da frente. Por isso temos de estar neste tipo de espaços e à beira de tudo o que se faz de novo».

A Smart Creation é também um espaço privilegiado para a Tintex contactar com outros parceiros, como aconteceu com a grega Varvaressos, que oferece algodão rastreável, e acompanhar os desenvolvimentos nas áreas do tingimento e materiais inovadores.

«É sempre importante contactar com as pessoas, perceber a história mais diretamente e depois, a partir daí, começar a construir relações. Já houve algumas que começámos a construir aqui e acho que pode ser um ambiente muito interessante de troca de impressões e ideias, que possa levar mais para a frente a grandes parcerias», concluiu Pedro Magalhães.