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Inovação “made in” CeNTI

Com 11 anos de atividade, o CeNTI afirmou-se na realidade nacional e tornou-se um parceiro incontornável para as empresas da indústria têxtil nacional, e não só. Com 67 pedidos de patente no currículo, está agora a entrar numa terceira fase de expansão, que inclui um aumento da equipa, das instalações e das tecnologias.

Em 2003, altura em que começou a ser pensado, poucos saberiam o significado de nanotecnologia, mas o Citeve decidiu avançar para a criação do CeNTI – acrónimo de Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes. «O CeNTI pode ter sido uma das apostas mais arrojadas e mais bem conseguidas pelo Citeve em toda a sua existência. Se o Citeve, naquela altura, não tivesse tido a visão de que a nanotecnologia e o domínio dos materiais funcionais inteligentes eram fundamentais para o futuro do sector têxtil em Portugal, tínhamos cometido um grave erro», afirma Braz Costa, CEO do CeNTI, em entrevista ao Jornal Têxtil, publicada na edição de outubro.

Em 2006, o CeNTI foi formalmente criado, contando com um investimento inicial que rondou os seis milhões de euros. «Foi um projeto com os pés muito assentes na terra. O CeNTI não construiu nenhum edifício, encontrou espaço emprestado pelo Citeve e, portanto, todo o incentivo que se conseguiu arranjar foi investido mesmo no que interessava, os recursos humanos e tecnológicos», revela o CEO.

Eletrónica impressa, fibras tricomponentes, produção de nanopartículas e materiais nanoestruturados foram as grandes apostas na altura, que ainda hoje se mantêm válidas. «Foram apostas completamente certas», sublinha Braz Costa.

Em 2011 surge a segunda vaga de investimento, no valor de três milhões de euros, para expansão da gama de tecnologias disponíveis no CeNTI, «focadas no tipo de aplicações que estamos a desenvolver e uma evolução, no sentido de dispor de unidades-piloto de produção. Tínhamos capacidade de produção de nanopartículas, mas de 10 litros e passámos para 650 litros. Tínhamos uma impressora de 10 centímetros de largura para eletrónica impressa em filme polimérico e passámos para uma unidade industrial de 33 centímetros de largura com outras possibilidades», explica o CEO, adiantando que está agora prevista uma terceira fase de investimento.

«Estamos a falar de tecnologias que ficarão maduras dentro de seis ou sete anos. Está pensada, mas estamos à espera que haja sistemas de incentivos que possam reduzir o risco deste investimento. Contamos que, até ao final do ano, o programa esteja a funcionar e se tal suceder, ao longo de 2018 estaremos em condições de iniciar o novo ciclo de investimento», refere.

Contemplado em termos de investimento está igualmente a construção de instalações próprias. «Não há alternativa a ter que criar infraestrutura, criar um edifício, criar um pavilhão. O CeNTI não precisa de edifícios bonitos, nem envidraçados, precisa de instalações industriais, simples e flexíveis. Já há um pré-projeto para criar um novo espaço, aqui no campus. O Citeve é constituído por dois grandes blocos, a ideia é construir um terceiro», admite Braz Costa.

Pés assentes no chão

Uma das características que distingue o CeNTI de outros centros semelhantes na Europa é o seu modelo de financiamento. «Vivemos dos serviços que prestamos e, ainda assim, temos mantido uma atividade pré-competitiva que ninguém nos paga. Serviços, quer dizer, projetos contratados diretamente pelas empresas ou participação em projetos de copromoção», destca o CEO, apontando que «a maior parte dos países paga a este tipo de entidades com o Orçamento de Estado».

No último ano fiscal, o CeNTI registou um volume de negócios de cerca de 3,5 milhões de euros, o que permitiu cobrir os custos. Metade dos projetos têm sido desenvolvidos no âmbito da indústria têxtil, com os restantes 50% a dividirem-se entre as indústrias da cerâmica, cortiça, madeira, betão e plástico.

A equipa, «aquilo que mais me enche de orgulho», confessa Braz Costa, vai ser alargada, passando das atuais 65 pessoas para cerca de 100 até ao final do ano. «Ter uma equipa tão pequena como esta, que na última call apresentou 19 candidaturas a projetos em copromoção, só quem não sabe é que não percebe que se trata de uma capacidade de produção, de trabalho, de dedicação extraordinária», elogia o CEO, que tem algumas metas traçadas para o futuro. «Vamos trabalhar muito na área da produção de fibras de elevada performance com base celulósica, isto é, na área das fibras tricomponentes, de elevada performance mecânica, com destino à produção de materiais têxteis também de elevada performance, nomeadamente para a produção de compósitos. Essa é, claramente, uma área onde já começámos a investir, já temos trabalho feito, já temos resultados e vamos continuar a investir. Outra área tem a ver com os materiais sensíveis e responsivos, nomeadamente têxteis que são, ao mesmo tempo, sensores e que dão resposta a estímulos, o que vai entrar com várias tecnologias, algumas que já temos e outras nas quais vamos agora investir», enumera na entrevista, que pode ler na íntegra na edição de outubro do Jornal Têxtil.

Mais de uma mão cheia de projetos

Entre as 67 patentes e as centenas de projetos do CeNTI, o Jornal Têxtil dá a conhecer na sua edição de outubro seis desses desenvolvimentos.

Entre os que já foram concluídos estão os projetos iTechInovcar, promovido pela Simoldes em parceria com o CeNTI, onde foram desenvolvidos sensores de aproximação e sistemas de iluminação LED (light-emitting diode) incorporados nos revestimentos têxteis, e o Nanosmart, a resposta a um desafio colocado pela Riopele cujos resultados, nomeadamente uma nova tecnologia de acabamento, já chegaram ao mercado.

Em curso, apoiados pelo Portugal 2020, estão o PiCASSO, coordenado pela Tintex e tendo como parceiros o CeNTI, o Citeve, a Ervital e a Bioinvitro, com o objetivo de explorar o potencial de plantas e cogumelos para tingimento e incorporação de funcionalidades em têxteis, e o iParasol, coordenado pela Flexefelina e tendo como parceiros a Têxteis Penedo, o CeNTI e o Citeve, para desenvolver novas funcionalidades para guarda-sóis.

No âmbito europeu, com o apoio do Horizonte 2020, estão ainda a decorrer o Skhincaps, coordenado pelo CeNTI em parceria com um conjunto de entidades portuguesas, espanholas, alemãs, belgas e finlandesas, cujo objetivo é desenvolver mecanismo de libertação controlada de princípios ativos diferentes, e o 1D-Neon, que está a investigar a incorporação de dispositivos eletrónicos em fios têxteis e inclui, além do CeNTI, entidades como a Universidade Nova de Lisboa, a Philips e a LG.

Projetos que pode conhecer em profundidade, e pela voz dos investigadores envolvidos, na edição de outubro do Jornal Têxtil.