O evento Amsterdam Denim Days, que decorreu entre 13 e 18 de abril, configurou-se como um espaço de promoção de processos e produtos inovadores por parte de fabricantes e marcas do sector, que procuram divulgar os mais recentes desenvolvimentos na produção de jeans integrando critérios de sustentabilidade e a tecnologia mais atual.

Mistura de tecidos
«Elasticidade e desempenho são uma obsessão na indústria», afirmou Michael Kininmonth, gestor de projeto e especialista em desenvolvimento de negócios da produtora de fibras celulósicas Lenzing.

O certame testemunhou esta tendência crescente, no âmbito da qual entidades do sector demonstraram a sua preocupação relativamente ao poder da elasticidade, tecnologia de modelagem, recuperação de forma e combinação de fibras.

A indústria do denim é atualmente dominada pelo algodão, mas a introdução de novas misturas de fibras implica uma oportunidade de ampliar a gama e produzir tecidos inovadores.

Para o grupo Lenzing, a fibra Tencel tem sido o seu principal foco nos últimos cinco anos. Descrita pela empresa como «revolucionária», a fibra é desenvolvida através de um processo de circuito fechado de extrusão a húmido. Desde então, o grupo austríaco introduziu também a fibra Modal, neutra em dióxido de carbono, que, combinada com a Tencel, confere um tecido mais macio e elástico.

O grupo lançou recentemente o que Kininmonth define como «o expoente em sustentabilidade», considerada a mais recente tecnologia digital para o sector: jeans com estampados digitais. Já disponíveis para venda nos EUA e Japão, os jeans são digitalmente estampados em tecido de algodão simples, combinado com fibra Modal. «Não necessita de branqueamento, lavagem e tingimento.

Não necessita de tecido índigo», explicou Kininmonth. «A técnica está no software. A produção é feita na China e, por uma estação, os jeans foram vendidos nos EUA, esperando-se mais estilos para esse mercado. Isto é o princípio de algo revolucionário pois é o derradeiro produto sustentável».

Roupa desportiva no dia-a-dia
A emergência e crescimento contínuo da tendência de utilização de vestuário desportivo no quotidiano, ultrapassando a mera prática de atividade física, tem subtraído quota ao segmento dos jeans e pressionado os seus fabricantes a diversificar e atualizar os produtos que oferecem ao consumidor.

«O futuro passará pela performance e o aspeto tecnológico de produzir denim de uma forma muito mais sofisticada», explicou Jack Matthews, diretor de vendas e de marketing da Artistic Denim Mills (ADM).

Matthews aponta a elasticidade, tecnologia de modelagem e a recuperação da forma como elementos essenciais, acrescentando que «o desempenho e a elasticidade correspondem a 95% do que fazemos. Tem que ser mais leve e mais rápido. Para as mulheres, [o foco] é sempre denim elástico, para os homens trata-se de conforto e resistência».

A mais recente inovação desenvolvida pela ADM é a tecnologia XFit, que aplica uma técnica de tecelagem cruzada, providenciando elasticidade máxima de 360º. «Isto é inovador e é lavável. Não existe necessidade de lavar a seco. O poliuretano é aplicado através de uma camada de espuma translúcida. É possível [aplicar este método] numa ampla gama de cores», revelou Matthews.

De forma similar, a produtora de denim Artistic Fabric Mills, sediada no Paquistão, tem colaborado com as empresas Invista e Jeanologia no desenvolvimento de novas tecnologias, entre as quais um processo de escovagem dupla do tecido, através do qual é possível obter fibras mais macias, com uma textura que se assemelha à da flanela.

A cor é também um fator essencial e o sector do denim procura agora abarcar diferentes considerações. O tradicional índigo e o preto são paulatinamente substituídos por outras tonalidades. Enrico Forin, da Advance Denim, admitiu a existência de uma procura crescente por denim colorido mas paralelamente associada a um menor encolhimento dos tecidos.

A tendência de fabricação e integração de tecidos naturais marcou o Amsterdam Denim Days, com o desenvolvimento de uma coleção de denim 100% orgânico, de tecelagem manual pela empresa local Seven Sense. A coleção foi desenvolvida em colaboração com a organização não-governamental indiana KDB Samiti e a empreendedora holandesa Andriana Landegeant.

Os esforços de sustentabilidade desenvolvidos pela empresa turca Orta Anadolu conduziram à conceção de uma linha de tecidos de denim vegan, que recorre a tintos e técnicas naturais, tendo em vista a obtenção de uma maior estabilidade da cor e consistência.

A empresa tem investido, também, na criação de uma coleção de tecidos de luxo e de performance, que alargue as propriedades protetoras dos tecidos, possibilitando uma eficaz termorregulação, elasticidade e impermeabilidade.

É inquestionável a tendência inovadora do sector do denim global, em particular nos anos recentes. O desenvolvimento de fibras mais sofisticadas, a introdução de tecnologias mais inteligentes e a necessidade de conceção de uma cadeia de aprovisionamento mais sustentável têm, conjuntamente, estimulado a tendência evolutiva do sector.