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Inovações impulsionam mudança

NFTs, digital twins, biodigitalização e circularidade são algumas das inovações enquanto conceitos que estão a mudar o mundo e que vão impactar pessoas e negócios nos próximos anos, segundo António Murta, fundador e managing partner da Pathena.

António Murta

Na sua intervenção na iTechStyle Summit no painel dedicado aos Novos Modelos de Negócio, António Murta, fundador e managing partner da empresa de capital de risco Pathena, elencou algumas das inovações que nos próximos anos vão definitivamente moldar o mundo, assim como os desafios e até os perigos da não regulamentação da tecnologia.

Questões como os NFTs (tokens não fungíveis) estão alavancados por uma nova era da internet, que poderá «ser um problema» pela falta de regulação e que irá gerar «um mundo muito diferente do mundo em que vivemos se a sua implementação for bem-sucedida», explicou.

Apesar do lado positivo que a tecnologia, enquanto agregadora de pessoas de todo o mundo, pode trazer, como no caso da aliança criada entre associações dedicadas à investigação para o tratamento da esclerose lateral amiotrófica, «se isto não for regulado, os países, que já perderam muito do seu poder, vão perder ainda mais. Se não regularmos este mundo, iremos ter problemas», acredita António Murta.

Do lado positivo, há avanços que estão a ser feitos graças ao desenvolvimento tecnológico, como os digital twins, réplicas virtuais completamente fiéis de um objeto físico que permitem testar cenários que dificilmente seriam possíveis de testar na realidade. «Os digital twins vão ser muito importantes no futuro próximo», salientou o managing partner da Pathena.

Também a biodigitalização será um tema que irá marcar os próximos anos, garantiu António Murta, que citou a criação da primeira bactéria artificial por parte do J. Craig Venter Institute, o instituto fundado por Craig Venter, o primeiro a fazer a sequenciação do genoma humano em 2003. «Agora sabemos que vida é informação. O ADN é informação. Ainda não sabemos o que isso significa. Mas nos últimos anos temos visto muita digitalização, agora vamos ver muita biodigitalização em tudo», afirmou.

No âmbito das bactérias, «que são a única coisa que conhecemos que pode transformar tudo em qualquer coisa», António Murta destacou as possibilidades abertas pela reengenharia de bactérias E.coli para poderem comer dióxido de carbono (CO2) e, dessa forma, poderem transformar-se em fábricas biológicas para produzir combustíveis e comida. «Se conseguirmos usar essa bactéria para produzirmos comida e combustíveis, reinventamos a indústria», sublinhou o managing partner da Pathena. «Não estou apenas a falar da descarbonização do mundo, estou a falar de consumir CO2, usar CO2 como um input. Ainda está no início, mas é muito promissor», acrescentou.

Entre a circularidade e o RFID

iTechStyle Summit ’22

A circularidade será igualmente vital, nomeadamente para a indústria da moda, levantando desafios para as empresas que não se adaptem. «Compreendam que a circularidade não é uma simples tendência. Vai ser uma grande força na reinvenção de tudo. Não é preciso ser um especialista em têxtil para ver isso», considera.

Na área da saúde, há avanços que estão a acontecer e a pôr em questão os modelos de negócio tradicionais dessa indústria, seja com a possibilidade de fazer testes em casa – como os de antigénio durante a pandemia – que permitam determinar um antibiótico específico para a infeção bacteriana do paciente, seja com a chegada do mundo do gaming para o tratamento de doenças. «As pessoas vão jogar um jogo e vão sentir-se melhor. Isto chama-se digital pharma, é um pequeno negócio por enquanto, mas vai tornar-se num grande negócio nos próximos anos», explicou António Murta.

Ao nível do retalho, o RFID trouxe já várias mudanças, com o managing partner a apontar o exemplo da Inditex, que implementou a tecnologia em todas as lojas, permitindo uma melhor visão dos stocks e, ao nível do produto, a evolução tecnológica vai permitir ir além da informação que vem nas etiquetas, permitindo, por exemplo, que através do telemóvel seja possível fazer perguntas aos artigos e obter respostas.

«Há muitas mudanças a acontecer, em várias partes do mundo, e vão afetar-vos e afetar o negócio têxtil», resumiu António Murta. «A mudança está a acontecer constantemente, muitas vezes não a vemos. E as mudanças na indústria têxtil e vestuário são muito reais. As coisas mudam, por isso, por favor estejam preparados para as mudanças», concluiu.