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Inovafil abre portas nos TT

A empresa especializada na fiação Inovafil está, cada vez mais, a apostar nos têxteis técnicos e de performance, com parcerias com fornecedores de fibras e com clientes a abrirem as portas desta área de negócio.

Rui Martins

Anti-rasgo, retardamento de chama, anti-estática, regulação de temperatura e gestão de humidade são apenas algumas das propriedades que a Inovafil tem vindo a incorporar nos seus fios para responder às exigências de funcionalidade do mercado de workwear. «A área dos têxteis técnicos e de performance é uma área em que estamos a apostar muito», afirma Rui Martins, CEO da empresa especializada em fiação. «É um segmento de negócio que temos vindo a desenvolver e em que acreditamos. Mesmo com esta questão da guerra, este novo paradigma da Europa para um investimento maior na parte militar e de segurança, vai haver uma necessidade crescente, no curto/médio prazo, deste tipo de materiais», explica ao Portugal Têxtil.

Os fios desenvolvidos pela Inovafil podem ser aplicados a «tudo o que é workwear», incluindo o sector militar e forças de segurança, mas também bombeiros, funcionários de aeroporto ou de gasolineiras. «Tudo o que tenha uma tarefa mais específica, onde os critérios de EPIs, de proteção individual, estão a apertar e as exigências a nível de segurança estão a aumentar», aponta Rui Martins.

A entrada da produtora de fios neste mercado tem sido alicerçada, em grande parte, em parcerias, revela o CEO. «Estamos a trabalhar e a desenvolver não só internamente, mas também em parcerias, quer com fornecedores de fibras, quer com clientes, e fazer cadeias produtivas é aquilo que temos que estabelecer nestes mercados, porque são mercados muito difíceis de entrar, mas uma vez estando lá dentro, têm potenciais muito elevados, porque são normalmente programas com especificações próprias, concursos públicos, com regularidade, e que pensamos que vão crescer a curto/médio prazo», acrescenta. Para já, a Inovafil tem «conseguido dar passos consideráveis, muito com parceiros, produtores de fibras e clientes, que já estão neste clube restrito dos têxteis técnicos», sublinha Rui Martins.

A moda continua a ser o segmento de mercado mais importante para a fiação, mas os fios especiais, com propriedades de performance, ganham cada vez mais terreno, não só para os têxteis técnicos, mas também para o desporto e têxteis-lar. Na mais recente edição da Techtextil, que decorreu em junho último, além dos fios pensados para o workwear, a Inovafil apresentou fios com propriedades dermatológicas, antibacterianas, anti-stress, gestão da humidade e termorreguladoras.

Com 50% de quota de exportação, a Europa é o principal destino dos fios produzidos pela empresa, mas o foco mantém-se em Portugal. «Gosto sempre de salientar que estamos aqui para apoiar as empresas portuguesas, para apoiar o mercado interno e o têxtil português. Mas também exportamos já uma parte significativa, cerca de metade, essencialmente para a Europa», confessa o CEO.

Novas fronteiras em I&D

A inovação na sustentabilidade está igualmente entre as prioridades da Inovafil, que além de já fabricar fio a partir de desperdícios de produção, está envolvida no projeto internacional New Cotton, liderado pela finlandesa Infinited Fiber Company, que reúne um total de 12 empresas, e pretende desenvolver um modelo completamente circular para a produção comercial de vestuário. «Aí está-se a desenvolver, provavelmente, a grande solução de reciclagem, que é a dissolução do vestuário depois de utilizado, em final de vida ou não utilizado sequer, e extrair as matérias-primas para fazer novas fibras e fios», considera Rui Martins. Os primeiros resultados deste projeto poderão ser vistos no próximo outono, com uma coleção da Adidas, que faz igualmente parte do projeto, assim como a H&M.

Para já, o projeto recorre apenas a vestuário com alto teor de algodão, como jeans, mas, acredita Rui Martins, «a evolução vai-se dar, diminuindo essa percentagem de algodão e aumentando a complexidade das misturas nos processos de separação química, em que se separa as poliamidas e os poliésteres para um lado e as celuloses para o outro. É como tudo: começa pela parte mais simples e depois vai aumentando a complexidade».

A Inovafil, que emprega cerca de 120 pessoas e produz, em média, 160 toneladas de fio por mês, está ainda envolvida em projetos com a Universidade do Minho e com o CITEVE, incluindo no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). «São projetos inovadores também na parte de fibras celulósicas e de sustentabilidade. Novas fibras, fibras sustentáveis, é isto que se vai jogar nos próximos tempos, a parte da reciclagem e da sustentabilidade. Só as leis e as metas que a Europa vai impor vão ser um desafio muito grande», destaca o CEO.

Após um ano de 2021 que terá sido «um dos melhores de sempre», este ano tem-se sentido um abrandamento do negócio. «Depois da questão da guerra e desta crise energética que estamos a passar, aumentos de preços generalizados e aumento da inflação vão degenerar num consumo mais baixo e nós achamos que o mercado está já a desacelerar e pode vir a desacelerar mais nos próximos tempos», admite Rui Martins. As perspetivas para 2022 são, por isso, comedidas. «A nossa expectativa é manter a rentabilidade, pelo menos não perder dinheiro. Não é manter os níveis do ano passado, é manter no verde. Se nos mantivermos no verde, sobrevivemos a este período e vamos ver o que vem», resume o CEO da Inovafil.