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Inovafil apresenta Nidyarn

Numa altura em que deseja priorizar as parcerias e dedicar até 50% da produção aos têxteis técnicos, a Inovafil lança oficialmente o projeto “Nidyarn – Núcleo de I&D para fios funcionais de elevado desempenho”, copromovido com o Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da Universidade do Minho e apoiado pelo Portugal 2020.

«A estratégia é não sermos só moda, é passarmos também a ser desporto e técnicos», realçou o CEO Rui Martins durante a primeira sessão pública de apresentação do Nidyarn, na passada sexta-feira em Braga, onde procurou também resumir a estratégia de inovação da fiação que atualmente emprega 115 pessoas e tem uma capacidade produtiva de 160 toneladas de fio mensais – 20% das quais têm como destino os mercados externos.

Aposta nos têxteis técnicos

Dividida em três eixos – parcerias, coleções próprias e participações em feiras –, mas com prioridade reconhecida ao primeiro, a estratégia de inovação da Inovafil prevê a aposta crescente nos têxteis técnicos.

«Os têxteis técnicos e funcionais vão fazer parte do quotidiano, vão ser democratizados. Vão deixar de ser um nicho de mercado quando essas funcionalidades começarem a ser introduzidas naquilo que é o nosso vestuário do dia-a-dia», afirmou Rui Martins, explicando que a vontade da Inovafil é «continuar a potenciar o mercado dos técnicos e estar, nos próximos anos, com 40% a 50% da produção na área dos técnicos e funcionais».

Foi precisamente dentro deste enquadramento que nasceu, no segundo semestre de 2016, o Nidyarn, cujo principal objetivo é a constituição de um núcleo de investigação e desenvolvimento no âmbito dos fios de elevado desempenho térmico, mecânico e biológico para aplicação em vestuário high tech.

Parceria com o 2C2T

O contributo da Inovafil para o Nidyarn está relacionado com capacidades de produção e comercialização, enquanto o Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho injeta competências relacionadas com o desenvolvimento e incorporação de conhecimento científico. Já o financiamento do Portugal 2020 envolve sobretudo recursos humanos e materiais e contempla a contratação de um investigador para o núcleo.

«O núcleo em si não é nada inovador, o que queremos que seja inovador é a tecnologia», sublinhou, por seu lado, o diretor do 2C2T, Fernando Ferreira, em declarações ao Portugal Têxtil. «Aqui o que queremos fazer é uma triagem das necessidades do mercado e da possibilidade de responder a essas necessidades», esclareceu Fernando Ferreira, sem deixar de admitir o quanto importante é «considerar a capacidade da empresa [Inovafil] abraçar rapidamente esses novos produtos sem grandes perturbações. Temos de pensar na tecnologia e nos materiais que estão disponíveis».

No prazo máximo de três anos, o Nidyarn conjetura a estruturação de, pelo menos, cinco projetos de I&D, relativos a cada uma das temáticas abordadas.

«Os artigos apresentados pela Inovafil nas últimas feiras [Ispo Munich e Techtextil], por exemplo, já resultaram do núcleo», apontou Rui Martins ao Portugal Têxtil.

Vocacionada desde o seu arranque, em 2015, para produção de fios especiais, a Inovafil tem vindo alargar os horizontes das opções sustentáveis na produção de fios com a utilização de matérias-primas ecológicas como urtigas (ver Inovafil fia urtigas) ou algas marinhas (ver Têxteis de outro mundo).

«Isto é um projeto a três anos, mas se a Inovafil tiver desenvolvido cinco produtos com sucesso e ficar por aí, este núcleo não resultou muito bem, até porque a Inovafil terá uma máquina montada que lhe vai permitir continuar», reconheceu o diretor do 2C2T, concluindo que o objetivo «é que o projeto acabe no papel e nós continuemos a trabalhar e a desafiar-nos um ao outro».