Início Notícias Têxtil

Inovafil fia urtigas

As urtigas são uma das matérias-primas ecológicas que a empresa de fiação está a usar na produção, com a aposta na sustentabilidade a envolver também cânhamo, kapok, poliéster reciclado e algodão orgânico. Uma oferta que esteve já a ser promovida na Ispo Munich e que continua em exibição na Première Vision Yarns.

A aposta na utilização de matérias-primas mais “amigas” do ambiente, à qual se junta uma grande dose de inovação, chamou a atenção de muitos dos mais de 85 mil compradores que percorreram os corredores da Ispo Munich (ver Um mundo de inovações), que encerrou ontem as portas. «Estabelecemos alguns contactos, em parte fruto dos prémios que foram atribuídos pelo júri da feira relativamente a alguns dos artigos desenvolvidos, e vamos agora tentar potenciar esses contactos», afirmou ao Portugal Têxtil Pedro Martins, responsável do mercado externo.

A Inovafil contou com cinco produtos selecionados no Ispo Textrends, na categoria Eco Era, dois dos quais no Top 10. Apresentados sob a forma de malhas – produzidas em parceria com a LMA na tricotagem e acabamentos – os fios incluem matérias-primas como kapok, poliéster reciclado e algodão orgânico, em misturas com Tencel, caxemira e lã. «É uma linha assente em produtos ecológicos», destacou Pedro Martins.

Vocacionada desde o seu arranque, em 2015, para produção de fios especiais, a empresa está empenhada em dar um novo fôlego às opções sustentáveis na produção de fios. «A empresa tem investido nessa área, quer em termos de matérias-primas utilizadas, quer com certificações complementares nesse âmbito», explicou o responsável de mercado externo. Atualmente, a Inovafil, além das certificações IDI e ISO para a qualidade e inovação e desenvolvimento, conta também com a certificação GOTS e está no processo de certificação GRS (Global Recycled Standard, para empresas que produzem ou vendem artigos com conteúdo reciclado) e BCI (Better Cotton Initiative).

É nesta estratégia que surge a fiação de fibras de urtiga e cânhamo, cuja produção é mais ecológica, com os fios resultantes a poderem ser aplicados em vestuário, nomeadamente para desporto, com propriedades dermatológicas antialérgicas.

Com 115 trabalhadores, 14 mil fusos na fiação convencional e dois open-end de 288 rotores, a Inovafil tem uma capacidade produtiva entre as 140 e as 150 toneladas por mês, 15% das quais têm como destino os mercados externos. «São 15% mas estamos claramente a crescer – este ano vamos para os 20%, 25%. Neste primeiro trimestre – que é sempre um trimestre mais baixo por causa da sazonalidade – um dos grandes alicerces está no mercado externo, não está no mercado interno e isso é fantástico», considera o CEO da empresa, Rui Martins, numa entrevista concedida ao Jornal Têxtil no mês passado.

As expectativas para 2017 são, por isso, de crescimento, com as estimativas a apontarem para um crescimento de 10% a 15%, depois de em 2016 a empresa ter registado um volume de negócios de 16 milhões de euros (+30% do que em 2015).

Para isso, e para o aumento da notoriedade da empresa, contribuirão ainda a presença na feira Première Vision Paris – que termina hoje – e na próxima edição da Techtextil, em maio, para onde a Inovafil está já «a desenvolver uma nova coleção, mais abrangente», revelou Pedro Martins.

Um trajeto voltado acima de tudo para a inovação, como pode ficar a conhecer mais profundamente na edição de fevereiro do Jornal Têxtil (ver Os senhores dos anéis).