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Inovafil prepara novos investimentos

Em 2020, a empresa de fiação deverá alargar o seu portefólio com a aquisição de uma nova tecnologia que vai permitir abranger praticamente todos os fios comercializados atualmente. O investimento virá complementar uma oferta centrada em fios técnicos e especiais, que para a próxima estação tem em destaque o algodão Supima.

Rui Martins

A decisão final «ainda não está fechada», assume Rui Martins, CEO da Inovafil, «mas quase de certeza absoluta que, em janeiro de 2020, vamos ter novidades com a introdução de uma nova tecnologia de fiação».

Sem desvendar os detalhes, Rui Martins explica ao Portugal Têxtil que esta tecnologia «é nova pelo menos para este conceito de diferenciação e de utilização de matérias-primas nobres como seda, lã, linho, caxemira» e vai permitir «cobrir quase todo o portefólio de fios que são comercializados».

O CEO adianta que «estivemos à espera que a tecnologia atingisse um ponto que fosse interessante para a Inovafil. São máquinas que já existem mas é tecnologia muito vocacionada para a produção em massa, monoproduto. Agora já começa a permitir efetuar, na mesma máquina, vários tipos de fios em simultâneo e, no fundo, dimensioná-la às necessidades do cliente e à dimensão das encomendas», acrescenta.

Atualmente, a capacidade produtiva da empresa, que emprega 120 pessoas, está estabilizada em 160 toneladas mensais. «Os principais objetivos serão sempre aumentar a oferta de produtos e estabelecer parcerias, o reconhecimento nacional e internacional da Inovafil como uma empresa realmente inovadora e capaz de fazer suporte que os clientes necessitam nesta evolução que é constante», aponta Rui Martins.

As metas passam ainda por «substituir alguns produtos que produzimos por produtos de maior valor acrescentado. Produtos que deixem mais margem, que tenham menos concorrência e que nos diferenciem mais», indica.

Diferenciar sempre

Na nova coleção, a aposta recaiu sobre o algodão Supima, que aumenta «um patamar de qualidade e nobreza», considera o CEO da Inovafil. O algodão americano de fibra longa foi combinado com outras fibras em «misturas diferenciadas», explica. Da coleção fazem ainda parte fios com fibras mais técnicas, que, cada vez mais, «estão a ser incorporados no vestuário do dia a dia», aponta. As matérias-primas com credenciais sustentáveis estão igualmente integradas na oferta da empresa. Algodão orgânico e poliéster reciclado Repreve, da Unifi, drirelease e.c.o. e drirelease Hemp, com cânhamo, são algumas das fibras usadas. «O nosso parceiro mais recente é a Circular Systems, que tem, por exemplo, a área Agroloop, que tem a ver com materiais provenientes da agricultura como o cânhamo, o ananás e outros, que vão dar projetos muito interessantes no futuro», acredita Rui Martins.

A Europa, nomeadamente a França, a Alemanha e a Espanha, é o principal mercado de exportação da Inovafil, a que se seguem os EUA. Mas a empresa produtora de fios não quer descurar o mercado nacional, que representa ainda 60% das vendas. «A Inovafil pretende continuar a ser, cada vez mais, um suporte para aquilo que nós consideramos ser a melhor têxtil da Europa, que é a portuguesa. Se fossemos espanhóis quereríamos vender em Portugal, certamente. Nós somos portugueses e temos o melhor mercado em casa, portanto vamos servir de suporte para o mercado português», sublinha o CEO.

Em 2018, a Inovafil registou um volume de negócios de 21 milhões de euros e para este ano, apesar da «apatia e dificuldades inerentes a um ciclo menos positivo do mercado, em termos de conjuntura, tanto nacional como externa», o CEO considera que «estamos a reagir bem e a seguir o nosso caminho. Estamos a manter a estratégia independentemente do mercado estar um bocadinho mais apático». Uma estratégia que pretende levar a Inovafil por «um caminho de diferenciação, de produtos novos e mais nobres» para superar a concorrência externa, de países como a Turquia. «Quando eles nos forem buscar alguma parte, já temos que estar com o pé noutra mais à frente e não nos preocuparmos por eles fazerem aquilo que nós fazíamos há três ou quatro anos. É evoluir e inovar. E enquanto conseguirmos olhar para eles pelo retrovisor, ótimo», conclui Rui Martins