Início Notícias Têxtil

InovPNT desenvolve não-tecidos inovadores

O objetivo do projeto é impulsionar a utilização de substratos têxteis com propriedades antimicrobianas e de permeabilidade melhorada, ao mesmo tempo que impulsiona a indústria nacional de não-tecidos, representada no consórcio pela Trim NW, uma empresa que reconverteu parte da sua produção e serve agora a indústria hospitalar.

[©Compete]

O InovPNT propõe «o desenvolvimento de materiais termoplásticos inovadores com propriedades antimicrobianas e funcionais adequadas ao combate do novo coronavírus, que possam ser utilizados para a produção de filamento fino e/ou revestimentos termoplásticos para uma prova de conceito aplicada a TNTs [tecidos não-tecidos] funcionais», revela o Compete na sua mais recente newsletter.

De acordo com o projeto, que envolve o PIEP [Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros], o CITEVE e a TrimNW, «as vivências dos últimos meses mostram que é fundamental uma evolução nos produtos de não-tecidos técnicos e funcionais, a nível nacional, com uma resposta melhorada ao nível das propriedades antimicrobianas, de forma a obter-se uma resposta autossustentável em tempos de crise sanitária, como a que se verifica atualmente». Com o projeto, o PIEP, o CITEVE e a TrimNW pretendem não só dar uma resposta «imediata» à atual pandemia mas também, «a longo prazo, a outras problemáticas relacionadas com questões de saúde pública e a metodologias terapêuticas específicas».

A ideia é obter, no final do InovPNT, um substrato de não-tecido antimicrobiano e funcional, com validação ao nível mecânico e toxicológico. Entre as metas do projeto, que teve início a 1 de junho de 2020 e deverá ficar concluído a 28 de fevereiro de 2021, estão o desenvolvimento de: materiais termoplásticos funcionais, incluindo granulado, filamento, fibras e revestimento, com propriedades antimicrobianas adequadas para o combate ao SARS-CoV-2; amostras de não-tecidos funcionais e eficientes contra o coronavírus, que possam ser reutilizáveis ou recicláveis; e um protótipo demonstrador das tecnologias desenvolvidas em formato de EPI ou dispositivo médico específico.

David Conceição [©Compete]
«O projeto InovPNT constitui um desafio e uma proposta inovadora, enquadrada nas necessidades (a curto prazo) despoletadas pelo contexto atual associado à pandemia Covid-19. Pretende-se que, tendo como base o know-how de todos os intervenientes do consórcio – PIEP, Citeve e TrimNW – se desenvolvam materiais e produtos baseados em TNTs funcionais que apresentem uma resposta antimicrobiana eficiente, direcionada a equipamentos de proteção individual e/ou dispositivos médicos», explica David Conceição, gestor do InovPNT.

Além do desenvolvimento de soluções inovadoras mais eficientes enquadradas num contexto de crise sanitária, o projeto servirá também, indicam os promotores, «para alavancar a indústria nacional dos não-tecidos, refletida neste consórcio na empresa TrimNW, direcionando-a para o fabrico de produtos EPIs e/ou dispositivos médicos».

Do automóvel para o hospital

A TrimNW é uma empresa portuguesa especializada na produção de não-tecidos industriais e peças têxteis termoconformadas para o interior de veículos. Em 2019 estava a trabalhar no desenvolvimento do negócio dos não-tecidos, como revelou Ricardo Fernandes, sales manager da empresa de Santarém ao Portugal Têxtil.

Em 2020, face à estagnação do negócio na área automóvel e às novas necessidades desencadeadas pela pandemia, a Trim NW reconverteu as suas linhas de produção e passou a produzir não-tecidos certificados para a confeção de EPIs para a área hospitalar.

«Em fins de março começámos a receber informação dos nossos clientes das duas áreas, mas sobretudo a automóvel, de que iam parar», contou Rui Lopes, diretor-geral da Trim NW, numa videocall em maio no âmbito do Spe Futuri, uma iniciativa do Link To Leaders, Gestluz Consultores e da Associação Empresarial de Portugal (AEP). «Entretanto, como somos o único produtor nacional de tecido não-tecido ligeiro, fomos “pressionados”, no bom sentido, para tentar desenvolver um tecido não-tecido que fosse adequado ao fabrico de EPIs para a área hospitalar», explicou.

Rui Lopes [©RTP]
O desenvolvimento foi realizado em cerca de três semanas, com a certificação do CITEVE, que esteve igualmente envolvido no processo, a surgir a 13 de abril. «No dia seguinte tivemos a visita do Secretário de Estado [dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro] e a partir daí começaram a surgir pedidos de todo o lado», revelou Rui Lopes. «Nunca mais paramos», sublinhou, adiantando que a linha de produção deste tipo de não-tecido está a funcionar em laboração contínua e que estava a preparar uma segunda linha de produção. «Deu-nos a oportunidade de entrar num mercado completamente diferente do mercado automóvel, onde estávamos inseridos», afirmou Rui Lopes, num episódio do programa 3 Minutos a Inspirar Portugal, transmitido pela RTP.