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Insolvências na têxtil em queda

O número de novos processos de insolvência de janeiro até 31 de agosto baixou na Indústria, com especial destaque para o subsector do têxtil e moda. Entre os pedidos de insolvência, alguns já estão solucionados, como a António Almeida & Filhos, e outros têm potenciais compradores alinhados, como é o caso da Dielmar.

António Almeida & Filhos

De acordo com o Barómetro Informa D&B, nos primeiros oito meses deste ano foram criadas 27.250 novas empresas (equivalente a +11,4% do que em igual período de 2020) e encerraram 7.525 entidades comerciais, o que revela uma descida de 5% face ao período homólogo. O número mais baixo de encerramentos e insolvências deve-se, segundo a empresa de informação de mercado, «sobretudo às medidas de apoio que o Estado português colocou à disposição das empresas».

Neste mesmo período até 31 de agosto, registou-se uma descida de 12,1% nas insolvências, correspondendo a menos 188 processos. «De destacar que o sector que normalmente apresenta mais insolvências, a Indústria, foi onde ocorreu a maior descida, com menos 138 processos, sobretudo no subsector têxtil e moda», aponta a análise da Informa D&B.

Da Coelima à Dielmar

Ainda assim, são várias as grandes empresas da indústria têxtil e vestuário que passaram, ou estão a passar, este ano por um processo de insolvência. Em abril, a Coelima apresentou-se à insolvência, tendo em junho sido acordada a sua venda à Mabera por um valor de 3,6 milhões de euros. A escritura, inicialmente agendada para se concretizar até 31 de julho, atrasou e deverá concretizar-se hoje, 13 de setembro, de acordo com o Jornal de Notícias.

Já no início de julho foi a vez da António Almeida & Filhos, pertencente ao mesmo grupo da Coelima, o Moretextile, assumir as dificuldades e submeter o processo no Tribunal de Comércio de Guimarães. A empresa, juntamente com a Morecoger – Energia e a Moretextile Imobiliária, suscitou o interesse, com propostas válidas, acima de 3 milhões de euros, da Têxteis Domingos Almeida e da JF Almeida, tendo o primeiro apresentado um valor mais alto, de 3,5 milhões de euros.

A venda foi aprovada em assembleia de credores no passado dia 7 de setembro, passando a Têxteis Domingos Almeida a deter todo o inventário e equipamento da António Almeida & Filhos, um imóvel e todo o equipamento da Morecoger e seus prédios da Moretextile Imobiliária, assim como as «posições contratuais nos contratos de trabalho referentes à totalidade dos trabalhadores» destas empresas, segundo refere a Lusa. A concretização legal do negócio pode demorar mais três meses, de acordo com o administrador da insolvência, Bruno Costa Pereira, citado pela agência noticiosa.

O caso mais recente foi da Dielmar, que no final de julho colocou o processo de insolvência em curso, apontando como motivo a quebra de faturação – até março, tinha registado um volume de negócios de 700 mil euros, em comparação com cerca de 5 milhões de euros no mesmo período do ano passado.

A empresa, que emprega atualmente 250 trabalhadores e tem ainda 11 lojas próprias, terá espoletado o interesse de empresários do Norte. De acordo com a edição online do Jornal de Notícias, «dois consórcios pretendem comprar o edifício, ficar com os trabalhadores e manter a marca». A assembleia de credores deverá ainda ser antecipada para 6 de outubro (inicialmente estava marcada para 26 de outubro), podendo nessa altura ficar decidido o futuro da Dielmar.

Dielmar