Início Notícias Mercados

Instabilidade nos mercados e matérias-primas

A situação em Myanmar e as acusações de trabalho forçado no algodão chinês foram dois dos temas que dominaram nos últimos 12 meses, num ano marcado também pelo aumento do custo das matérias-primas e dificuldades logísticas.

Xinjiang [©AFP]

A situação política na antiga Birmânia continuou a afetar os negócios da indústria têxtil e vestuário em 2021, o mesmo acontecendo com a Etiópia, que em novembro viu o seu acesso ao mercado americano mais dificultado. Na Europa, o Brexit começou a fazer sentir os seus efeitos na moda, devido à imposição de mecanismos alfandegários e na China, as acusações de utilização de trabalho forçado na cultura de algodão trouxeram problemas.

Problemas sentiram igualmente países como a Índia, o Vietname ou o Bangladesh – este último foi mesmo ultrapassado pelo Vietname em termos de exportações – afetados pelo Covid-19 e pela falta de mão de obra provocada pelo mesmo.

Já na Turquia, a aposta é na sustentabilidade, enquanto a Tunísia se vê a braços com a instabilidade económica, com as empresas a procurarem reduzir os seus custos com a deslocalização para áreas rurais.

Os preços das matérias-primas começaram a sua trajetória ascendente logo no início do ano, sendo que os preços do algodão subiram à custa da especulação, apesar do anunciado aumento da produção.

Há, por isso, novas alternativas no mundo das fibras, como as fibras celulósicas regeneradas, o cânhamo, as alternativas à seda ou a fibra feita a partir de arroz, que vale a pena conhecer.

Tudo isto afetou o sourcing em 2021, com a tendência do nearshoring a sair reforçada, sobretudo junto dos americanos, o que poderá ser uma boa notícia para Portugal.