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Intel quer ser aliada da moda

A linha que separa a tecnologia da moda há muito que tem vindo a perder espessura. Marcas e designers estão a explorar a eletrónica para oferecer wearables e experiências aos consumidores, enquanto empresas como a Amazon funcionam como seres híbridos, tão envolvidos com a tecnologia como com a indústria da moda.

A Intel, por sua vez, está a fazer o percurso inverso e, enquanto empresa de tecnologia, começa a concentrar as suas atenções no mundo da moda, com vestuário e acessórios inteligentes, incluindo vestidos, óculos e pulseiras.

Numa entrevista à margem da última conferência South by Southwest (SXSW 2017), um aglomerado de conferências e festivais que junta todos os anos em Austin (Texas, EUA) as indústrias da música, do cinema e da criatividade, a vice-presidente da Intel, Sandra López, afirmou que a missão da sua equipa é ser, primeiramente, uma “simplificadora”, em vez de tentar assumir-se como uma marca de moda.

A vice-presidente da Intel recordou a Semana de Moda de Nova Iorque do ano passado, quando a Intel se associou a 13 designers para transmitir um desfile em realidade virtual – um meio que está a ser abraçado por muitas casas de moda. Outro exemplo, citou Sandra López, foi o smartwatch Connected Modular 45 da Tag Heuer, que a Intel ajudou a construir em parceria com a Google.

«A nossa estratégia está focada na colaboração e capacitação dos líderes da indústria da moda para derrubar as fronteiras da moda com a tecnologia», explicou Lopez. «Estamos constantemente a trabalhar para que a nossa tecnologia seja mais pequena, mais rápida, mais eficiente em termos de energia e mais capaz do que nunca para ajudar os nossos parceiros a ter sucesso», acrescentou.

Um dos desafios para as marcas é descobrir como aproveitar ao máximo a tecnologia, sublinhou a vice-presidente da Intel, especialmente em termos dos dados que estão a recolher através das peças de roupa conectadas, de outros tipos de wearables e nas suas lojas de retalho. «Há uma possibilidade real de ajudar a indústria da moda a aproveitar o poder dos dados», admitiu Sandra Lopéz. «Como se pode analisar o que os consumidores estão a fazer na loja, online e através de cada interação em tempo real para maximizar as vendas e abrir novos fluxos de receitas?», questionou. Isso é algo a que designers como Rebecca Minkoff já estão a tentar responder no espaço da loja, com espelhos inteligentes, auto-checkout e etiquetas RFID que permitem que a marca saiba mais sobre os hábitos de compra dos seus clientes.

«A personalização e a customização só agora começam a ser aproveitadas», reconheceu Lopéz sobre o potencial resultante de um trabalho conjunto das duas indústrias no desenvolvimento de produtos wearable. «A tecnologia tem a capacidade de transformar as indústrias e a moda não é exceção», concluiu.