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Inteligência Artificial à solta na Ásia

Na China, o ambicioso plano de implementação da Inteligência Artificial começou em hospitais com médicos virtuais que liam tomografias e linhas de produção assumidas por robots. No entanto, tecnologias semelhantes têm surgido por toda a Ásia.

Os analistas defendem que a Inteligência Artificial (IA) pode vir a desbloquear oportunidades de negócio e a melhorar a eficiência das empresas, com um relatório recente da consultora global McKinsey a estimar que a adoção de IA nas unidades produtivas do Sudeste Asiático possa aumentar os lucros até 311 mil milhões de dólares (aproximadamente 269 mil milhões de euros) por ano.

A McKinsey observou também que um terço das principais empresas da região mencionou expressões como “IA” nos seus relatórios financeiros relativos ao ano passado. Em oposição, apenas 6% o haviam feito em 2011.

O ímpeto das tecnologias de IA, de resto, fez com que a Ásia chegasse a algumas das soluções mais inovadoras do mundo.

Na Tailândia, por exemplo, o Bumrungrad International Hospital foi a primeira instituição médica fora da América do Norte a implantar a tecnologia IBM Watson for Oncology, desenvolvida para avançar e otimizar os cuidados de saúde em casos de doença oncológica.

As startups de IA encontraram também o seu espaço em instituições financeiras, empresas de logística e até em sectores menos tecnológicos, como a agricultura.

No Vietname, a startup Sero incentivou os produtores de arroz a tirarem uma fotografia de plantações doentes e a carregá-la online. Essas fotografias são usadas para ensinar os computadores a identificar doenças nas plantações.

A empresa afirma que o seu “cientista virtual” é capaz de identificar 20 doenças com uma precisão de 70% a 90%. Com os avanços, a tecnologia se será capaz de enviar o diagnóstico de doença aos agricultores e poderá sugerir opções de tratamento através de uma aplicação móvel nos smartphones.

No seu núcleo, todavia, IA é sobre dinheiro, homens e máquinas.

«Um funcionário pode lidar com um cliente de cada vez, enquanto os chatbots podem lidar com milhares ou mesmo dezenas de milhares de clientes ao mesmo tempo», explica Irzan Raditya, fundador da Kata, empresa de programação sediada em Jacarta Indonésia, ao South China Morning Post.

Raditya afirma que os seus clientes economizaram pelo menos 30% ao “contratar” chatbots para serviços ao cliente.

Na Malásia, o governo reviu recentemente em alta o seu objetivo de contratar 1.500 profissionais de dados até 2020, passando para os 16.000, à medida que a procura de talento aumentou proporcionalmente à adoção de IA.

Até agora, referem os analistas de mercado, a utilização da IA não gerou perdas significativas de postos de trabalho.

«A viagem acaba de começar e será muito difícil substituir os seres humanos pela IA», reconhece Tak Lo, fundador da Zeroth, empresa de IA sediada em Hong Kong.

Contudo, em destinos como Singapura, onde os custos com a mão-de-obra são relativamente altos, uma em cada cinco empresas já está a considerar a implantação de robots e soluções de IA, de acordo com uma pesquisa de 2017.

No entanto, ainda deve demorar até que sejam apresentadas soluções de IA adequadas a todas as empresas ou possíveis de suportar, em termos financeiros. Por outro lado, há falta de pessoal qualificado para trabalhar com estas tecnologias.

«Preciso de voar até Silicon Valley para trazer talento para aqui», admite Lingga Madu, fundador da empresa de comércio eletrónico Sale Stock, localizada em Jacarta.