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Inteligência artificial vai revolucionar o design de moda

A conclusão é de um estudo realizado na Pusan National University, que sugere que a colaboração entre humanos e inteligência artificial pode mudar o futuro da moda, podendo ser usada para impulsionar a criatividade, servir como ferramenta de formação e permitir que qualquer um desenhe a sua própria roupa.

[©Pixabay-Gerd Altmann]

A utilização de inteligência artificial (IA) na indústria da moda cresceu significativamente nos últimos anos, refere a publicação da Pusan National University, da Coreia do Sul. A IA está a ser usada para tarefas como recomendações personalizadas de moda para clientes, otimização da gestão da cadeia de aprovisionamento, fazer processos automatizados e melhorar a sustentabilidade para reduzir o desperdício.

«Contudo, os processos criativos no design de moda continuam a ser, na maior parte, impulsionados por humanos e não existe muita investigação no reino da utilização da IA para o design de moda», indica a universidade, acrescentando que os estudos são geralmente feitos com cientistas de dados, que constroem as plataformas de IA e estão envolvidos com o aspeto tecnológico do processo. Além disso, os próprios designers não estão frequentemente envolvidos em investigação.

Para investigar a aplicabilidade prática dos modelos de IA para implementar designs criativos e trabalhar com designers humanos, Yoon Kyung Lee, professora assistente na Pusan National University realizou um estudo, publicado online e no jornal Thinking Skills and Creativity.

«Numa altura em que a IA está tão profundamente enraizada nas nossas vidas, este estudo começou, em vez disso, por considerar o que os humanos podem fazer melhor do que a IA», explica Yoon Kyung Lee. A possibilidade de «haver uma colaboração efetiva entre humanos e IA para o design criativo» foi o ponto de partida, revela.

Design para não-designers

O estudo começou por gerar novos designs de têxteis usando redes adversárias generativas convolucionais profundas (DC-GANs) e redes adversárias generativas cíclicas. Os resultados destes modelos foram comparados a designs semelhantes produzidos por estudantes de design.

[©Pusan National University]
A comparação mostrou que embora os designs produzidos por ambos fossem semelhantes, a maior diferença foi a originalidade registada nos designs humanos, que surgiram das experiências das pessoas. Contudo, a utilização da IA em tarefas repetitivas pode melhorar a eficiência dos designers, libertando-os para se focarem em trabalho criativo mais difícil de concretizar. Os designs gerados por IA também podem ser usados como ferramenta de aprendizagem para pessoas que não têm conhecimentos em moda explorarem a sua criatividade, que podem, assim, criar designs com ajuda da IA.

Tendo isso em conta, Yoon Kyung Lee propõe uma rede colaborativa entre humanos e IA que integre redes adversárias generativas com a criatividade humana para produzir os designs. A professora também definiu e estudou os vários elementos de um sistema complexo que estão envolvidos num design colaborativo de humanos e IA e estabeleceu um modelo humano-IA no qual o designer colabora com IA para criar uma nova ideia de design. O modelo está construído de forma a que se o designer partilhar o seu processo criativo e ideias com outros, o sistema pode interligar-se e evoluir, melhorando dessa forma os seus designs.

«No futuro, toda a gente pode ser um criador ou um designer com a ajuda de modelos de IA. Até agora, apenas designers de moda profissionais foram capazes de desenhar e mostrar vestuário. Mas, no futuro, será possível para qualquer pessoa desenhar a roupa que quiser e mostrar a sua criatividade», resume Yoon Kyung Lee.