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Intersèlection precisa de mais expositores nacionais»

A Intersèlection, que decorreu de 8 a 10 de Novembro, demonstrou, uma vez mais, ser a ferramenta indispensável de apresentação da oferta para todas as fórmulas de distribuição organizada. O cliente pretende diferenciação, inovação, personalização, acessórios. Só um salão como a Intersèlection tem a capacidade de lhe oferecer uma tal variedade e uma tal reactividade.

O conceito do salão responde, assim, à necessidade dos distribuidores oferecerem uma moda em perpétuo movimento, integrando as últimas tendências.

Com mais de 980 colecções de pronto-a-vestir e acessórios de moda, a última edição do salão, que decorreu de 8 a 10 de Novembro, recebeu 6.292 visitantes, ou seja, um aumento de 4,7% face a Novembro de 2004, com origem, principalmente, na Europa (Bélgica, Espanha, Alemanha, Itália, Países Baixos, Portugal, Reino Unido) e de outras partes do mundo (Japão, Canadá, Rússia). Estes números revelam a boa performance desta edição.

Esta edição contou com a presença de novos pavilhões internacionais, como os da Roménia e do Egipto. Também cabe destacar a presença de novos expositores da Turquia, Marrocos, Tunísia, Brasil, Peru, Coreia e Polónia. A próxima edição está marcada para de 9 a 11 de Maio de 2006.

Portugal participou na Interselèction com as empresas Expotime e Givec. Para Nuno Valinhas, director comercial da Expotime, esta primeira participação correu de forma positiva, mas talvez abaixo das expectativas criadas. «No entanto, o mercado muda e nós temos de acompanhar essa mudança. A participação em feiras internacionais é seguramente um dos caminhos. Este circuito torna-se essencial a fim de conhecermos e percebermos as tendências do mercado, e chegarmos a novos clientes e mercados». Nuno Valinhas lamenta a diminuta participação nacional, com apenas dois representantes. «A Intersèlection precisa de mais expositores nacionais e eu só explico a situação actual pelos elevados encargos inerentes e pela total inexistência de apoios estatais para a presença nesta feira. O sector também é constituído por empresas, como a Expotime, que apostam num modelo de negócio, não baseado no CMT, mas baseado no private-label, com uma ligação próxima com os clientes no desenvolvimento de colecções, oferecendo-lhes serviços de design e matéria-prima, modelo este mas também muito válido e com futuro». Para Nuno Valinhas, não deve ser o modelo de negócio, mas a excelência do próprio negócio a determinar as oportunidades dadas às empresas do sector do vestuário no acesso ao mercado externo, nomeadamente através de acções conjuntas, que proporcionam troca de experiências e permitem a diluição de custos, de forma a estimular o processo exportador. Para quem expôs sozinho, como a Expotime, a empresa está a considerar a hipótese de voltar a participar na próxima edição da Intersèlection, mas reduzindo as despesas, com um stand mais pequeno e com uma equipa comercial mais reduzida. Com 15 anos de experiência e, direccionada, essencialmente, para as exportações (que correspondem a 60% do total de vendas), a Expotime trabalha com importantes e conceituadas marcas mundiais, nomeadamente a Ralph Lauren e a Tommy Hilfinger e, com países como a Espanha França, Bélgica, Itália, Holanda e Reino Unido.

Quanto à Fatex, feira internacional de sourcing, que decorreu em paralelo com a Intersèlection, contou com 350 expositores, provenientes de 34 países.

Com 6.986 visitantes profissionais, um crescimento de 2% relativamente ao ano anterior, o salão confirmou a crescente importância do sourcing, cada vez mais globalizado, e confirmou a tendência actual dos compradores, fornecedores e responsáveis da produção em praticar um sourcing diferenciado por país ou região, em função do savoir-faire local em matéria de confecção, do nível de preços praticados, da capacidade de resposta em termos de qualidade e de prazos de entrega….

As empresas nacionais presentes na Fatex foram a Joaquim do Vale Pinto e a Raith. Sendo já a segunda vez que a Raith expõe na Fatex, Joaquim Rodrigues, administrador da empresa, gostava de ver reforçada a presença nacional.  Para o industrial, «o Estado, se quer aumentar o peso das exportações, num contexto de grande concorrência por parte dos países emergentes, devia, e podia, apostar na representação oficial em mais feiras internacionais, como forma de promover e divulgar o nosso sector têxtil e do vestuário», apontando casos como a Turquia ou a Polónia. «Até agora, todas as nossas iniciativas foram individuais, resultantes de um trabalho de grande persistência, força de vontade e avultados investimentos pessoais. Apesar dos resultados da nossa presença nesta feira terem sido positivos, se já temos de investir na qualidade e na inovação, para sermos competitivos, vamos ter de avaliar muito cuidadosamente a possibilidade de participarmos em edições futuras», concluiu Joaquim Rodrigues. A Raith é uma empresa especializada na produção de vestuário infantil para idades compreendidas entre os 0 meses e 36 meses. Localizada em Marco de Canaveses, exporta há duas décadas, nomeadamente para o mercado europeu e canadiano, ao longo das quais impôs a sua diversidade de artigos. Ao responder com sucesso às exigências de qualidade, inovação e competitividade internacionais.