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Invescorte valida software da sala de corte lá fora

Depois do sucesso confirmado em Portugal, a empresa está a expandir para outros mercados as vendas do software ICF, que desenvolveu especificamente para levar a sala de corte para a indústria 4.0. Brasil, Turquia e Polónia são alguns dos países onde a inovação da Invescorte está a receber validação.

Herculano Felizardo

A empresa esteve pela primeira vez como expositora na Texprocess, a feira dedicada ao processamento de têxteis e materiais flexíveis, para apresentar o software ICF – Invescorte Cutting Flow pensado para a gestão da sala de corte. «É um produto revolucionário, que não existe, tanto quanto a gente saiba, em mais nenhum país do mundo neste momento, em nenhuma empresa, e tem sido um sucesso enorme em Portugal e já em alguns outros países», indica Herculano Felizardo, presidente da Invescorte.

O ICF, que começou a ser desenvolvido há sete anos e comercializado há cinco, foi pensado para levar as confeções para a indústria 4.0. «As empresas de confeção normalmente têm um software de gestão que trata muito bem todos os departamentos da empresa, mas a sala de corte não. A sala de corte é uma espécie de caixa negra em que toda a informação continua a ser feita em papel, portanto, vai papel para a sala de corte e vem papel da sala de corte. E porquê que é feito em papel? Porque nas salas de corte há sistemas CAD de várias marcas, máquinas de corte de várias marcas, estendedores de outras marcas e ninguém conseguiu fazer uma integração da informação entre os vários tipos [de softwares e equipamentos]», explica ao Portugal Têxtil. «Como tínhamos muito conhecimento de ERPs, de CADs, de cortes e de estendedores – da sala de corte em geral –, decidimos desenvolver um software que fosse realmente indústria 4.0 e que resolvesse o problema da informação em papel, para que essa informação fosse obtida em tempo real», acrescenta.

O software é instalado no backoffice e permite a qualquer pessoa autorizada saber em que fase está a encomenda, se está em espera, a estender ou já a cortar, refere o presidente da Invescorte. «O conceito é esse e, como é um produto realmente inovador, tem sido um sucesso», sublinha Herculano Felizardo.

Em busca de distribuidores internacionais

O ICF foi validado em Portugal e está implementado em cerca de 100 empresas de confeção de média e grande dimensão, que têm também contribuído para a sua evolução. «Obviamente, o produto tem vindo a ser cada vez mais sofisticado e desenvolvido com os inputs que as empresas de confeção nos dão e entendemos que só deveríamos ir para o estrangeiro depois de ter sucesso em Portugal», considera Herculano Felizardo.

No estrangeiro, o software está instalado em cerca de 80 empresas, sendo o Brasil o segundo maior mercado [a seguir ao português] e a Turquia o terceiro. Com países como a Polónia e a Turquia igualmente no rol de clientes, «estamos agora a começar em Marrocos e na Tunísia», revela o presidente da Invescorte.

O objetivo é chegar a novos destinos, nomeadamente através de parceiros de distribuição, uma evolução que foi travada pela pandemia nos últimos anos. «Queríamos ter tido uma política muito mais proativa e viajar à procura de distribuidores, fazer deslocações aos países e procurar ativamente, como temos feito ultimamente, mas durante a pandemia foi impossível», confessa. «Há muita confeção no mundo e nós não temos capacidade para atuar a não ser através de distribuidores. A Invescorte é uma empresa pequena», justifica Herculano Felizardo. Daí a participação na Texprocess. «Estamos sobretudo à procura de distribuidores que possam conhecer o produto, vendê-lo e suportá-lo», afirma, citando contactos de mercados tão distintos como a Índia, o Vietname e Taiwan.

Acima de tudo, contudo, o objetivo é crescer com sustentabilidade. «As pessoas às vezes têm a ideia de que uma pessoa quando vai para o mercado externo, vai ter um crescimento abrupto, sobretudo quando se fala de software. Este software é algo complexo, é preciso encontrar o parceiro certo, é preciso treiná-lo, formá-lo, depois é preciso ir assisti-lo nas primeiras instalações, portanto é um processo que não é no fim deste ano que está concluído», salienta o presidente da empresa, que é também representante de marcas como a Bullmer, de máquinas de corte e estendedores, e a Audaces, de CAD. «Hoje já somos uma referência em Portugal, muitas empresas contactam-nos porque viram o nosso software noutras empresas e querem comprá-lo. Até chegarmos a esse nível no estrangeiro vai demorar alguns anos», considera Herculano Felizardo.