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Investigadoras lusas combatem vírus com nanotecnologia

Evitar a propagação do SARS-CoV-2 em hospitais e lares é o foco do projeto ano2Prevent, coordenado por Salette Reis, investigadora do REQUIMTE, e que junta ainda investigadoras do 2C2T da Universidade do Minho e do CITEVE.

O nano2Prevent pretende desenvolver produtos à base de nanopartículas para detetar e inativar o SARS-CoV-2 em equipamentos de proteção individual e roupa de cama, de forma a evitar a transmissão do vírus em hospitais e lares.

De acordo com a informação disponibilizada pela Universidade do Porto, «estas soluções passam pela incorporação de nanopartículas para inativação de vírus in situ, em materiais têxteis usados em equipamentos de proteção individual e roupas de cama, na otimização de nanopartículas para deteção direcionada de SARS-CoV-2 em superfícies e na combinação de numa formulação única dos dois tipos de NPs desenvolvidas para a simultânea deteção e inativação do SARS-CoV-2, em instalações médicas, permitindo assim a eliminação do vírus, enquanto identifica possíveis focos de contaminação».

O projeto, que recebeu um apoio de 40 mil euros da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) no âmbito da segunda edição da iniciativa Research 4 Covid-19, é liderado por Salette Reis, investigadora da REQUIMTE – Rede de Química e Tecnologia, uma instituição fundada pela Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Porto em 1996, que congrega ainda outras instituições de outras cidades.

A também docente da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto conta neste projeto com uma equipa de oito investigadoras, incluindo Catarina Seabra, Sofia Costa Lima, Cláudia Nunes, Joana Magalhães, Marina Pinheiro e Tânia Moniz, do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV, pertencente à REQUIMTE), Helena Felgueiras, do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho, e Carla Silva, do CITEVE.

«No final, o nano2Prevent vai reforçar o Sistema Nacional de Saúde ao propor soluções nano para proteger os trabalhadores da área da saúde e os pacientes de contaminação cruzada», aponta o LAQV/REQUIMTE.

121 projetos apoiados

No total, a segunda edição do Research 4 Covid-19, que decorreu de 30 de abril a 15 de maio, recebeu 495 propostas, das quais 471 foram submetidas a avaliação por peritos externos. No final foram selecionados 55 projetos, financiados com mais de 2 milhões de euros. «Nesta 2.ª edição pretende-se que os projetos e iniciativas foquem a evolução futura da pandemia e o seu impacto nos serviços de saúde e na sociedade, bem como a otimização da resposta adequada à pandemia a diversos níveis», tinha referido a FCT na comunicação de apresentação de propostas.

Na primeira edição do Research 4 Covid-19 foram selecionados 66 projetos, que receberam um apoio de 1,8 milhões de euros. Entre estes encontra-se o projeto Mould2Protection, promovido pelo CeNTI.

O apoio Research 4 Covid-19 foi criado, segundo a FCT, para financiar projetos e iniciativas de investigação e desenvolvimento, já em curso ou a encetar, que respondam às necessidades do Serviço Nacional de Saúde, na sua intervenção no combate à pandemia do novo coronavírus.