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Investimento dispara no sourcing

Seja pela tendência da digitalização, pelas expetativas dos consumidores ou pela maior consciencialização ambiental, vários fatores estão a forçar os líderes das cadeias de aprovisionamento a apostar em novas tecnologias para equipar as suas empresas para o sucesso.

Entre 2015 e 2018, os investimentos em tecnologia na cadeia de aprovisionamento diminuíram incessantemente. No entanto, segundo o Annual Industry Report da MHI, associação comercial de gestão de materiais, logística e cadeia de aprovisionamento, de 2019, lançado em parceria com a Deloitte Consulting, o investimento deverá disparar 95% este ano. Dos 1.052 líderes de cadeias de aprovisionamento inquiridos, 59% representam empresas com pelo menos 100 milhões de dólares (cerca de 89 milhões de euros) em vendas anuais, enquanto 10% registaram vendas acima dos 10 mil milhões de dólares. As retalhistas ou empresas de bens de consumo, incluindo vestuário, constituem 10% dos inquiridos.

Ao longo dos próximos anos, os gastos médios em inovações para a cadeia de aprovisionamento deverão atingir os 14 milhões de dólares. Trata-se de um aumento notável em relação aos números de 2018, ano em que os investimentos se mantiveram inferiores a 8 milhões de dólares, de acordo como o relatório. O estudo indica que 8 em cada 10 inquiridos acreditam que as cadeias de aprovisionamento digitais serão o modelo predominante nos próximos cinco anos.

São várias as inovações que podem melhorar as cadeias de aprovisionamento, mas a robótica e a automação deverão atrair o maior financiamento, com as empresas a projetarem um gasto médio de 20 milhões de dólares para os próximos 24 meses, comparado com uma média entre 10 milhões e 14 milhões de dólares noutras tecnologias.

A análise de dados é uma área de forte interesse, com 87% dos líderes de cadeias de aprovisionamento a planearem implementar a mesma ao longo dos próximos anos. Contudo, o relatório descreve a Inteligência Artificial (IA) como «a evolução máxima da inteligência empresarial e da análise de dados» que irá, primeiramente, impactar as cadeias de aprovisionamento nas áreas de gestão de armazém, exigir projeções e o planeamento da cadeia de aprovisionamento e a gestão de stock e da logística das entregas e do transporte.

Mais de três quartos (79%) das empresas questionadas esperam que a IA se torne uma competência essencial das empresas nos próximos três anos, enquanto 88% admitem acreditar que a IA será uma ferramenta essencial no que toca à gestão de riscos e a uma maior previsibilidade dentro das suas cadeias de aprovisionamento.

«Com as ferramentas digitais a aumentar as expetativas dos clientes para níveis sem precedentes, as cadeias de aprovisionamento da próxima geração têm que ser proativas, previsíveis e limitativas, com todas as suas ligações interconectadas e sincronizadas ao mesmo ritmo da procura do consumidor», afirma Scott Sopher, responsável pela área da cadeia de aprovisionamento mundial da Deloitte, ao Sourcing Journal.

Os desafios

O grande desafio para as empresas é encontrar trabalhadores com as capacidades necessárias para implementar as tecnologias. 57% dos inquiridos planeiam realizar novos investimentos tecnológicos que totalizam mais de 1 milhão de dólares ao longo dos próximos dois anos (um aumento de 10% em relação ao inquérito do ano passado), 34% planeiam gastar mais de 5 milhões de dólares e 22% pretendem gastar mais de 10 milhões de dólares.

O inquérito mostra que os profissionais das cadeias de aprovisionamento estão diante de vários desafios, sendo que o principal continua a ser a contratação de mão de obra qualificada. Entre as tecnologias inovadoras com maior potencial para transformar as cadeias de aprovisionamento, o relatório aponta a blockchain, a robótica e automação, a análise de dados, a Internet das Coisas, a IA, os veículos sem condutores e drones, os wearables e tecnologia móvel, a otimização do inventário, os sensores, a identificação automatizada, a computação e armazenamento na nuvem e a impressão em 3D.

«O ritmo de inovação na cadeia de aprovisionamento ao longo dos seis anos em que realizámos o nosso inquérito é realmente impressionante, criando uma verdadeira vantagem para os pioneiros. Os lideres das empresas e das cadeias de aprovisionamento concordam que a tecnologia é essencial para o sucesso», revela George Prest, CEO do MHI ao just-style.com.

As três barreiras principais identificadas pelos empresários para a adoção destas tecnologias são: gerir a falta de capacidades da mão de obra (65%), a procura dos consumidores por preços mais baixos (56%) e a exigência do consumidor por tempos de resposta mais rápidos (54%). A falta de mão de obra qualificada está a crescer à medida que a adoção destas tecnologias aumenta.

A implementação destas tecnologias exige mão de obra com maior formação e cada vez mais digital, com as principais aptidões necessárias para competir na cadeia de aprovisionamento de nova geração a serem, segundo o estudo, a análise de dados/modelagem/visualização (40%), a resolução estratégica de problemas (37%) e, ainda, o conhecimento empresarial e multifuncional (31%).